Há alguns anos os moradores do Jardim Santo Amaro, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), viram sua rotina mudar. Acostumados à tranquilidade do bairro e ''ao clima de cidade pequena',' agora eles estão sitiados em suas próprias casas. Essa foi a maneira que eles encontraram para fugir da violência que toma conta do bairro, principalmente, aos finais de semana. Além dos frequentes assaltos e arrombamentos, é bastante comum ouvir tiros, geralmente, desferidos por motoristas de carros e motos que trafegam em alta velocidade pela avenida principal.
O comerciante Valmir Ávila contabiliza 16 assaltos a estabelecimentos comerciais e casas desde meados de novembro. Além disso, ocorreram ainda um latrocínio, no início de dezembro, e uma vítima de disparo de arma de fogo, no dia 31 de dezembro. ''Esses crimes são cometidos por moradores de outros bairros, mas de bairros vizinhos, a polícia sabe quem são. Falta policiamento mesmo'', avalia. O bairro conta com um módulo policial que está fechado e vazio. ''Aos finais de semana não podemos sair porque corremos o risco de levar um tiro. Há duas semanas um rapaz foi baleado aqui'', conta.
Ele mora no bairro há cinco anos. Quando se mudou, montou uma lanchonete/padaria, mas a violência fez com ele modificasse o perfil de seu estabelecimento: agora comercializa peças para veículos e motos. O motivo é a redução do horário de funcionamento. ''É assustador o que está ocorrendo aqui, é muita droga. As pessoas decentes não saem mais à noite, só com muita coragem porque há muito bandido'', comenta.
A comerciante Lúcia Fernandes, moradora do bairro há 17 anos, também viu a violência crescer no local nos últimos três anos. ''A gente tem mais medo de bala perdida, parece faroeste'', acrescenta a filha dela, Pâmela Suelen. Lúcia tem duas filhas adolescentes, mas não as deixa sair de casa à noite. ''Os nossos filhos não podem nem ir tomar um sorvete em um domingo à noite, é uma situação triste'', afirma. Ela ainda diz que está cansada de ligar para a polícia, porque não é atendida.
A falta de policiamento fez com que os comerciantes se unissem para pagar um segurança particular que ronda o comércio da avenida durante o dia. ''Há algum tempo o pessoal do Silvino (bairro vizinho) fez uma movimentação lá para pedir segurança. Então, eles tiraram o policiamento daqui e tranferiram para lá. No Silvino a violência caiu, mas os bandidos dos outros bairros vieram para cá'', comenta Pâmela.
A vendedora Angela Carvalho é outra que assistiu a mudança do Santo Amaro. ''Moro aqui há 21 anos e não era assim. A coisa está feia'', diz, referindo-se a falta de segurança no local. ''Há muita violência com jovens, que estão se matando. Todo mundo tem medo de sair à noite e o meu filho, de 15 anos, também não sai mais'', observa. Segundo ela, nos finais de semana é difícil até dormir devido ao barulho dos carros e motos.

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