Santinhos de falecidos agora são personalizados
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Assim como é impossível descrever com palavras o amor que sentimos por aquelas pessoas que têm lugar cativo em nossos corações, também é difícil explicar o que sentimos quando alguém que amamos parte dessa vida. A morte mistura ao intenso amor sentimentos como saudade, perda e até tristeza, despertando a vontade de ter quem se foi, pelo menos por mais um instante, novamente por aqui.
Dessa forma, muitas famílias, como maneira de homenagear e guardar a lembrança de quem partiu, mandam confeccionar santinhos da pessoa falecida para distribuir no velório ou na missa de sétimo dia. No entanto, os tradicionais santinhos estão mudando. O colorido substituiu o preto e branco e a computação gráfica entrou em cena. Além disso, as palavras, quase sempre tristes e saudosas, que acompanhavam as fotos, agora são escritas pelos familiares e são mais alegres. Os tamanhos também podem ser os mais variados.
O resultado é que a cada dia aumenta mais o número de pessoas que procuram pelo serviço de personalização desse tipo de lembrança em Londrina. Sérgio Yoshioka, proprietário de uma gráfica na cidade, junto com outros sete profissionais, faz arte com as fotos, recorta cenários de fundo e estiliza mensagens levadas pelas famílias.
''As pessoas nos procuram porque querem deixar uma imagem mais alegre de quem partiu, por isso fazemos com o maior capricho possível. Muitas vezes as pessoas ficam emocionadas quando vêem o resultado do trabalho e dizem que era aquilo mesmo que esperavam'', explica Sérgio.
No dia em que a reportagem da FOLHA esteve na gráfica, ele trabalhava no santinho de uma sorridente senhora, que tinha como plano de fundo muitas orquídeas. Era a foto da dona-de-casa Delvina Regiolli Giroldo, que faleceu com 63 anos, deixando cinco filhos e sete netos.
''Minha mãe é uma pessoa muita especial. Ela sempre transmitiu a todos muita paz e luz. Não queríamos fazer para ela um santinho que lembrasse morte, mas algo que lembrasse uma nova etapa da vida, pois para nós ela continua viva'', explicou Sandra Regina Celeghin, filha de Dona Delvina.
Falando da mãe com muito amor, Sandra conta sobre a enorme alegria que a dona-de-casa tinha em viver, além do grande carinho com que ela tratava todas as pessoas que a cercavam. ''Minha mãe sempre foi muito carinhosa, era difícil ela encontrar alguém e não dar logo um beijo e um abraço'', relembra.
A explicação da filha para o fundo florido é simples. ''Minha mãe tinha três prioridades: Deus, a família e as flores. Como dizem que as orquídeas são as flores dos anjos, achamos que não tinha nada melhor para simbolizar minha mãe'', finaliza Sandra.
Em gráfica rápida, os santinhos podem ser feitos em pequena quantidade e ficam prontos em poucas horas. No estabelecimento visitado pela FOLHA o preço cobrado por 100 unidades de 10 por 14 centímetros é R$ 120,00.


