Santas Casas lançam seguro de saúde próprio
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segunda-feira, 07 de julho de 1997
Dary Júnior 
Curitiba
A Confederação das Misericórdias do Brasil (CMB) lançou ontem à tarde, em Curitiba, um seguro para Santas Casas e hospitais beneficentes. O objetivo do Vital Saúde é oferecer uma alternativa de receita para aproximadamente 2,6 mil instituições filiadas. Não podemos esperar mais pelo governo, justifica o presidente da entidade, deputado José Linhares (PMDB-BA). Na prática, 40% dos 270 mil leitos da rede vão ser destinados a pacientes conveniados.
O presidente da CMB garante que o paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) não vai ser discriminado com o novo programa. Ele passa a contar com uma rede integrada, com abrangência e tecnologia, explica Linhares. Isso pode até reverter em benefício do carente porque assegura fonte de renda para manter o atendimento, completa. As vendas do seguro devem começar em agosto.
O presidente da Federação das Misericórdias e Entidades Filantrópicas do Paraná, Carlos Alberto Grolli, acredita que a medida pode resultar no fim de rifas e pedágios para arrecadação de recursos. Ele diz isso com a autoridade de quem representa 70 instituições que devem R$ 20 milhões a fornecedores. A administração das Santas Casas e dos hospitais beneficentes vai ter de se profissionalizar, prevê.
Vamos fazer um cadastramento, anuncia Grolli. Segundo ele, haverá três classificações para os hospitais: mínima, padrão 2 (nível médio) e padrão 3 (referência). Além de clínicas e equipamentos, é necessária a filiação à CMB, adianta. O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), relator da subcomissão permanente de saúde da Câmara, defende a proposta pela filosofia de consórcio.
O próprio ministro da Saúde tem estimulado a criação de consórcios entre hospitais comunitários para melhorar o atendimento e reduzir os custos dos municípios, revela Perondi. As Santas Casas e hospitais beneficentes vão entrar em um mercado - medicina suplementar - onde somam, por enquanto, apenas 2% dos 40 milhões de associados no País.


