Curitiba
A Confederação das Misericórdias do Brasil (CMB) lançou ontem à tarde, em Curitiba, um seguro para Santas Casas e hospitais beneficentes. O objetivo do ‘‘Vital Saúde’’ é oferecer uma alternativa de receita para aproximadamente 2,6 mil instituições filiadas. ‘‘Não podemos esperar mais pelo governo’’, justifica o presidente da entidade, deputado José Linhares (PMDB-BA). Na prática, 40% dos 270 mil leitos da rede vão ser destinados a pacientes conveniados.
O presidente da CMB garante que o paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) não vai ser discriminado com o novo programa. ‘‘Ele passa a contar com uma rede integrada, com abrangência e tecnologia’’, explica Linhares. ‘‘Isso pode até reverter em benefício do carente porque assegura fonte de renda para manter o atendimento’’, completa. As vendas do seguro devem começar em agosto.
O presidente da Federação das Misericórdias e Entidades Filantrópicas do Paraná, Carlos Alberto Grolli, acredita que a medida pode resultar no fim de rifas e pedágios para arrecadação de recursos. Ele diz isso com a autoridade de quem representa 70 instituições que devem R$ 20 milhões a fornecedores. ‘‘A administração das Santas Casas e dos hospitais beneficentes vai ter de se profissionalizar’’, prevê.
‘‘Vamos fazer um cadastramento’’, anuncia Grolli. Segundo ele, haverá três classificações para os hospitais: mínima, padrão 2 (nível médio) e padrão 3 (referência). ‘‘Além de clínicas e equipamentos, é necessária a filiação à CMB’’, adianta. O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), relator da subcomissão permanente de saúde da Câmara, defende a proposta pela ‘‘filosofia de consórcio’’.
‘‘O próprio ministro da Saúde tem estimulado a criação de consórcios entre hospitais comunitários para melhorar o atendimento e reduzir os custos dos municípios’’, revela Perondi. As Santas Casas e hospitais beneficentes vão entrar em um mercado - medicina suplementar - onde somam, por enquanto, apenas 2% dos 40 milhões de associados no País.

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