O Hospital Santa Tereza, o maior da região da região de Guarapuava, pagou na segunda semana deste mês parte dos salários de junho. O restante seria pago a medida que os recursos fossem entrando em caixa. Ontem, enquanto os funcionários diziam que a situação ainda está se normalizando, a direção do hospital garantia que os salários tinham sido pagos em sua totalidade. A princípio, os trabalhadores afirmam que não se pensa em paralisação.
Segundo o diretor financeiro e administrativo do hospital, João Carlos Haick, o atraso deve-se a demora no envio de recursos por parte do governo federal e, principalmente, de convênios como o Instituto de Previdência do Estado (IPE). ‘‘Nós temos R$ 250 mil para receber do IPE. As parcelas estão atrasadas desde de julho de 99’’, argumentou o diretor, citando que a previsão é de que cerca de R$ 9 mil sejam pagos no final deste mês. ‘‘Esse dinheiro corresponde a julho de 2000’’, acrescenta.
O diretor do hospital confirma que as dificuldades existem e que são reflexos de um contexto nacional. Segundo ele, o pagamento dos salários estava regularizado. Uma das funcionárias, que preferiu não se identificar, assegurou que havia colegas sem receber, mas que a situação devia se normalizar. ‘‘Não se fala em paralisar o trabalho. Ainda é cedo’’, comentou. O Santa Tereza realiza 550 internamentos todos os meses, em média 350 deles custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Conforme a direção, os problemas financeiros vem se agravando desde o Plano Real. Ainda que não tenha grandes dívidas contraídas com fornecedores, o diretor acredita que seria preciso uma revisão urgente dos valores pagos pelo SUS e o acerto no pagamento dos convênios, repassados em atraso há dois anos.

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