Maringá Dois anos depois de ser atingido pelo maior surto mundial de toxoplasmose, o município de Santa Isabel do Ivaí (92 km a oeste de Paranavaí) ainda não conseguiu concluir as obras de construção de uma caixa de água elevada. Laudo do Ministério da Saúde confirmou que a doença, provocada por um protozoário, foi dissiminada pela água do município distribuída por meio de uma caixa subterrânea sem condições de higiene.
Hoje, o sistema de abastecimento continua pelo mesmo reservatório, com algumas mudanças que incluíram reformas na casa de bombas e controle sanitário. O protozoário atingiu o sistema municipal porque uma ninhada de gatos hospedeiro natural da toxoplasmose vivia na caixa d'água municipal. Os animais estavam infectados, conforme exames realizados pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). A doença provocou a morte de bebês e culminou em cerca de 500 notificações, número não oficial porque nem todos os exames realizados na rede particular foram registrados pela saúde pública. Pelo menos 10% dos infectados pela toxoplasmose tiveram lesões oculares, outra grave consequência da doença.
O surto, que começou em dezembro de 2001 e atingiu o auge em janeiro de 2002, chamou a atenção de pesquisadores de diversas partes do Brasil, além de outros países, que aproveitaram o caso para estudos de diagnóstico da doença e de trabalhos científicos de identificação do protozoário.
Segundo o diretor do Departamento de Água do município, Rogério Bender, o município precisa ainda de R$ 150 mil para a instalação hidráulica. Os equipamentos servirão para o sistema de captação da adutora e operação da própria caixa d'água. O diretor disse que a prefeitura tenta um aditivo ao convênio firmado com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que destinou R$ 300 mil para as obras de construção. ''O dinheiro não foi suficiente para a conclusão e agora precisamos de recursos que permitam o funcionamento da caixa'', disse Bender.
O diretor acredita que se o dinheiro for liberado será possível abrir o novo sistema em 40 dias. A construção da caixa, com capacidade para 1,2 milhão de litros de água, começou quase um ano depois do primeiro registro da doença. Na ocasião, a obra era prevista para terminar em 90 dias.

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