Santa Felicidade não usa equipamento
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segunda-feira, 17 de agosto de 1998
Dimitri do Valle 
A Rua da Cidadania no bairro Santa Felicidade, em Curitiba, está à beira da falência. Das 15 lojas de comércio inauguradas em 96, apenas duas estão funcionando. A galeria se transformou num simples local de passagem de pedestres, que também são poucos. A desolação só não é maior porque ali funcionam repartições da Prefeitura, Sanepar e Telepar. O detalhe é que a Rua da Cidadania está localizada ao lado do terminal urbano de ônibus de Santa Felicidade.
Das duas comerciantes que ainda resistem em manter as portas abertas, uma tem medo de falar. A outra é Darci Rodrigues dos Santos, 57 anos, que possuiuma loja de vendas de roupas e artigos para surf. Estou pagando para trabalhar, diz. Quando resolveu apostar no investimento, Darci esperava um faturamento mínimo mensal de R$ 3 mil.
Hoje, ela diz que não consegue arrecadar nem a metade. A comerciante pensa em trabalhar até o final do ano para tentar desafogar o estoque que abarrota prateleiras e cabideiros da loja. Para isso, ela diz que é obrigada a oferecer calças e camisas abaixo do preço da etiqueta.
Isso aqui já foi feito errado, acredita Darci. A Rua da Cidadania está localizada ao lado do terminal urbano de Santa Felicidade. Cercas delimitam as laterais. É tudo muito fechado, as lojas ficaram de costas para o terminal, descreve. Ainda em 96 os comerciantes da Rua da Cidadania conseguiram negociar com a Urbs a isenção do pagamento da permissão de uso das lojas e apenas tinham a obrigação de quitar uma taxa de manutenção.
O acordo não surtiu efeito e há seis meses os lojistas começaram a baixar as portas em função do baixo movimento de clientes. A situação em Santa Felicidade é praticamente a mesma registrada na Rua da Cidadania da Matriz, construída para transferir os camelôs da Praça Rui Barbosa. A Folha mostrou na sexta-feira passada que os comerciantes da Matriz reclamam do baixo número de frequentadores e acham que a Prefeitura deveria investir mais na divulgação dos produtos que o local oferece.
A gerente de fiscalização da Secretaria Municipal de Urbanismo, Regina Sorgenfrein, não foi encontrada para falar sobre a situação da Rua da Cidadania em Santa Felicidade. A reportagem foi informada que Regina estava numa reunião, deixou recado, mas não houve retorno.Das 15 lojas inauguradas em 96, apenas duas funcionam - a Rua se transformou num simples local de passagem
Mauro FrassonDesânimoA comerciante Darci dos Santos diz que está pagando para trabalharÉ tudo muito
fechado, as lojas
estão de costas
para o terminal


