Santa Fé entrega abaixo-assinado à Sanepar
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quarta-feira, 08 de setembro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A Sanepar recebeu ontem um abaixo-assinado com cerca de 250 nomes de moradores do Jardim Santa Fé (Zona Leste) pedindo uma solução rápida para os problemas de abastecimento de água enfrentados no bairro. A empresa garantiu que tomará medidas nesta semana, mas a questão das ligações irregulares ainda deve se arrastar por um bom tempo, já que envolve outros órgãos.
Na edição de terça-feira, a Folha expôs relatos de famílias do Santa Fé que dizem ficar totalmente sem água nos fins de semana e durante boa parte dos outros dias. Com isso, necessidades básicas como cozinhar ou tomar banho se tornam impossíveis. De acordo com a artesã Zenaide Alves Rodrigues, 35, que entregou o abaixo-assinado em nome dos moradores do bairro, a falha estaria na estrutura de abastecimento. ''Tem que haver uma mudança na rede. Mesmo quem paga conta de água normalmente está tendo problemas'', afirmou.
Já o gerente da Sanepar na Região Metropolitana de Londrina, Sérgio Bahls, disse que as ligações clandestinas são a principal causa do problema, atingindo inclusive as famílias que estão em situação regular. ''Além de afetar toda a rede, as pessoas que fazem essas ligações têm consumo exagerado de água. Como não pagam, não se preocupam em economizar'', afirmou. ''Com a existência da tarifa social, é inaceitável que continuem utilizando ligações clandestinas'', salientou.
A medida imediata a ser tomada pela Sanepar, segundo o gerente, será a instalação de uma rede de água paralela no Santa Fé para melhorar o abastecimento, principalmente das casas localizadas na parte mais alta do bairro. Bahls afirmou que este trabalho será iniciado entre hoje e amanhã, e deverá ser concluído em uma semana.
Paralelamente, uma assistente social da empresa vai visitar as 34 famílias que vivem em uma área de invasão no bairro, recomendando que elas se cadastrem na tarifa social da Sanepar. O programa prevê tarifa mínima de R$ 5,00 pela água e R$ 2,50 pelo esgoto, para famílias cuja renda não ultrapasse meio salário mínimo por pessoa. Segundo Bahls, grande parte das casas regularizadas do bairro já contam com o benefício.
''Não vamos cortar a água das famílias irregulares, mas também não podemos incluí-los na rede sem o aval da Cohab (Companhia de Habitação). Seria incentivar a invasão'', comentou o gerente. O diretor administrativo e financeiro da Cohab, Augusto Dias Júnior, declarou que a autorização para fornecer luz e água aos moradores da área de ocupação esbarra na Promotoria de Meio Ambiente, que não permite a regularização de moradias em fundos de vale. ''Estamos tentando negociar com a Promotoria a autorização para fazer ligações provisórias, até que se encontre um novo local para aquelas famílias. Grande parte dos moradores não quer se mudar de lá'', observou.


