Curitiba - A Santa Casa de Misericórdia de Curitiba está estruturando um núcleo multidisciplinar especializado no tratamento da dor crônica. O anúncio foi feito, ontem, para profissionais do corpo clínico do hospital e pacientes, durante palestra do Programa Nacional de Educação Continuada em Dor e Cuidados Paliativos - Aliviador. De acordo com a chefe do Serviço de Neurologia da Santa Casa, Jussara Khouri, a idéia é começar a desenvolver pólos de estudo e tratamento da dor com base na proposta do programa.
O projeto é de iniciativa da organização não-governamental (ONG) Aliviador, que reúne médicos do Centro de Dor do Hospital de Clínicas (HC) de São Paulo, do Instituto Nacional do Câncer, da Universidade de Campinas (Unicamp), da Liga Paranaense do Câncer e da Associação Médica Brasileira (AMB). Curitiba é a quinta cidade brasileira por onde a caravana Aliviador está passando.
O objetivo maior desse trabalho, informou o presidente da ONG, João Augusto Bertuol Figueiró, é mudar a forma como a dor é tratada pelos profissionais da saúde e, com isso, melhorar o atendimento à população. O projeto propõe desde a reforma curricular nas faculdades da área da saúde até a implantação de centros de excelência em várias regiões brasileiras. ‘‘A idéia é reunir pessoas capacitadas para a prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação dos pacientes com dor crônica’’, acrescentou.
Figueiró afirma que entre 70% e 80% das pessoas que procuram o sistema de saúde é porque estão sentindo dor. Estima-se que 40% da população brasileira em geral sofre de algum tipo de dor crônica. Para ele, essa situação tem sido negligenciada no Brasil. ‘‘O tratamento é digirido às doenças e não aos doentes e nem sempre tratando a doença se aliviam os sintomas’’, observou.
O médico cita como exemplo os pacientes que sofrem de câncer. Trinta por cento deles, na fase inicial da doença sentem dor constante. Num estágio mais avançado da doença, a sensação de dor atinge 90% dos doentes. Figueiró lembra, por exemplo, que o uso da morfina (substância extraída do ópio e que é usada como sedativo) nesse tipo de tratamento no Brasil é 2 mil vezes menor do que na Dinamarca.
A caravana do Programa Nacional de Educação Continuada em Dor e Cuidados Paliativos pretende passar por 50 cidades brasileiras até o final de setembro.

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