Érika Pelegrino
De Londrina
A Santa Casa de Misericórdia de Cambé deverá interromper parte do atendimento do pronto-socorro (PS) a partir da próxima semana, por falta de medicamentos e de plantonistas. Embora o hospital tenha o quadro completo de plantonistas, os profissionais, segundo o provedor George El Hauly, estão sem receber há 60 dias e por isso muitas vezes não comparecem aos plantões.
A crise se agravou, de acordo com El Hauly, este ano com o aumento no preço dos medicamentos em 70%. As prateleiras do hospital estão sem remédios e materiais da cesta básica como gesso, analgésicos, antibióticos, filme para radiografia e outros. O provedor da Santa Casa afirmou que o grande problema está ‘‘na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), que é absurda’’.
O pronto-socorro, segundo ele, está fechando todos os meses com um déficit de R$ 20 mil. ‘‘A tabela só se aproxima dos custos reais nos grandes procedimentos – cobre entre 60% e 70% dos gastos. Agora, no caso do PS, o SUS paga R$ 0,49 por procedimento’’, afirmou.
Com uma demanda de 10 mil procedimentos/mês, o que equivale a 6 mil pessoas atendidas mensalmente, El Hauly afirma que é impossível continuar atendendo com este déficit. Diante desta situação, o provedor convocou uma reunião com a mesa administrativa para segunda-feira quando discutirão o interrompimento de alguns antendimentos no PS. ‘‘Atenderemos apenas urgência e emergência. Particulares, convênios e planos de saúde continuarão normalmente, sem problemas’’, ressaltou.
O atendimento do PS só voltará ao normal, segundo ele, se o governo federal enviar verba, ou se a comunidade se envolver na situação. O provedor se diz indignado com o fato de o CPMF (imposto sobre cheques) ter voltado a vigorar e a verba para a Saúde não ter aumentado.
‘‘Todo mundo paga CPMF (cuja arrecadação deve ser revertida para a Saúde), mas a tabela do SUS não foi reajustada em nenhum centavo. Para o próximo ano o governo federal já anunciou que a verba não sofrerá nenhum aumento, continuará em R$ 19,8 bilhões’’, afirmou. ‘‘Quer dizer, para onde está indo o dinheiro arrecadado com o CPMF?’’ questionou.
El Hauly disse ainda que o governo estadual tem que tomar uma providência e pressionar o governo federal, neste sentido. Outra medida que deve ser tomada, na sua opinião, é a educação da população para que procure mais os postos de saúde e desafoguem os hospitais. ‘‘É preciso que se faça uma campanha de conscientização. As pessoas precisam saber que o pronto-socorro é para atendimentos de urgência e emergência. Nós estamos atendendo a dor de barriga, a gripe, o corte no dedo, a cólica’’, exemplificou.
Ele adiantou que, apesar da crise, não há risco de o hospital se descredenciar do SUS – medida já anunciada pela direção do Hospital Evangélico de Londrina e que deve vigorar a partir de 26 de dezembro. Ontem à noite a comissão de Saúde do Centro de Direitos Humanos (CDH) reunir-se-ia para pedir explicações ao HE sobre esta decisão.

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