Maringá - A Santa Casa de Maringá, único hospital do município que ainda recebia pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neo-natal e pediátrica, suspendeu ontem o atendimento de recém-nascidos e crianças de até 13 anos por causa da superlotação no setor. Desde que o Hospital Universitário (HU) interditou a UTI e restringiu o atendimento de gestantes de alto risco, a Santa Casa passou a receber um número além da capacidade disponível para o Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi tomada no final da tarde de ontem pelo superintendente Florivaldo Martelozzo.
O hospital estava ontem com nove crianças na UTI e havia recebido mais duas gestantes de alto risco, sendo uma com gravidez de gêmeos, para partos até o final da noite. A UTI neo-natal e pediátrica pelo SUS do hospital tem capacidade para oito crianças. Por causa da situação, a Santa Casa emprestou equipamentos de outros três hospitais de Maringá e Sarandi para garantir o atendimento aos recém-nascidos.
Segundo o superintendente da Santa Casa, com o início do feriadão a situação no município pode se agravar ainda mais. O superintende afirmou que mesmo diante de dívidas ‘‘astronômicas’’, a Santa Casa não deixa de investir na ampliação do sistema, incluindo leitos pediátricos. Ele disse que o hospital está com empenho junto ao Ministério da Saúde para adquirir quatro novos respiradores.
O superintendente lembrou que nenhum outro hospital de Maringá tem interesse no atendimento de UTI pediátrica e neo-natal porque não consegue lidar com o prejuízo provocado pelo SUS. ‘‘Um recém-nascido fica na UTI entre 45 e 60 dias’’, contou Martelozzo.
Segundo o superintendente, o número ideal de leitos de UTIs seria de 12 no HU, quatro no Hospital Municipal (que ainda não está funcionando) e de dez na Santa Casa. Atualmente são 11 vagas nos dois hospitais disponíveis pelo SUS.
No início da noite de ontem, o secretário municipal de Saúde, Paulo Donadio, ainda não sabia da decisão da Santa Casa. Donadio disse que a situação é natural diante da superlotação. Segundo Donadio, os hospitais terão que recorrer à Central de Regulação de Leitos do Estado para encontrar vagas em caso de emergência.

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