A direção da Santa Casa de Foz do Iguaçu, o principal hospital de atendimento público da cidade, anunciou ontem que decidiu suspender temporariamente os internamentos e as cirurgias eletivas devido à greve que atinge 70% dos funcionários e já dura uma semana. Cirurgias eletivas são aquelas marcadas antecipadamente, em que o paciente não corre risco de vida.
O anúncio foi feito por meio de uma nota oficial. Segundo o documento, falta pessoal para ‘‘a manutenção das condições mínimas de funcionamento seguro nos setores de lavanderia, centro cirúrgico, centro de esterilização de materiais, obstetrícia e outros serviços essenciais que implicam em risco de vida.’
De acordo com a nota, assinada pelo vice-presidente do Conselho Superior da Irmandade Santa Casa Monsenhor Guilherme, Anibal Abbate Soley, os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos, ‘‘dentro das possibilidades do hospital’’. Os internamentos e as cirurgias eletivas serão retomados após o fim da greve.
A diretoria da Santa Casa informou à Folha que a falta de funcionários para a lavagem de roupas e a limpeza aumentam os riscos de infecções. A solução encontrada foi reduzir o número de atendimentos para que todos os serviços possam ser feitos pelos funcionários que permanecem trabalhando.
A greve foi iniciada na última sexta-feira porque o hospital ainda não pagou os salários de janeiro. Cerca de 80 funcionários continuam trabalhando, em esquema de revezamento, para manter o funcionamento parcial do hospital. A Folha procurou ontem à tarde o presidente do sindicato da categoria, Valdinei Freitas Vieira. Ele coordenava uma manifestação em frente ao hospital. Funcionários informaram que receberam ordens da direção para não chamar grevistas ao telefone.
Segundo o presidente do Conselho Superior da Irmandade, Carlos Alberto Grolli, a Santa Casa atrasou o salário de janeiro porque ainda não recebeu uma dívida de R$ 164 mil da prefeitura, referentes a um convênio para o atendimento dos casos de urgência e emergência.
O secretário municipal de Comunicação, Mauri Konig, disse que o convênio prevê o repasse desses recursos até o dia 22. ‘‘Vamos pagar dentro desse prazo’’, afirmou. ‘‘A Santa Casa está querendo transferir um problema dela para a prefeitura. Eles não podem alegar que deixaram de pagar os salários porque não receberam uma dívida que ainda não venceu.’

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