A Santa Casa de Misericórdia de Joaquim Távora (53 quilômetros ao sul de Jacarezinho) está paralisado. O atendimento foi interrompido há 15 dias pela empresa Gerência Hospitalar e de Serviços de Saúde do Paraná (Gerhospar), responsável pela administração do hospital. Os pacientes estão sendo encaminhados para outros municípios ou atendidos no posto de saúde municipal. O Ministério Público anunciou que estuda a possibilidade de acionar judicialmente os responsáveis pelas medidas, caso não ocorra uma solução para o impasse.

A Gerhospar informou que sofre retaliações da administração municipal. Segundo os diretores da empresa a prefeitura transferiu as Autorizações de Internamento Hospital (AIH), liberado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para outros municípios e deixou de custear o pagamento dos plantões médicos. A empresa assumiu o gerenciamento do hospital no ínicio do ano, após realizar um convênio com a Irmandade Vicentina, gestora da Santa Casa.

A representante da empresa, em Joaquim Távora, Eliane Dahmer, disse que a transferência da AIH inviabilizou o funcionamento do hospital e causou o pedido de afastamento do diretor-clínico. Ela confirmou que a população está sendo prejudicada, mas informou que a interrupção temporária foi à única saída para pressionar as autoridades. ''Nossa empresa não tem condições de realizar investimentos ou gerenciar o hospital sem o repasse destes recursos através do SUS'', justificou.

O prefeito de Joaquim Távora Tarcizo Messias dos Santos (PSDB) disse que não pode investir recursos públicos em uma empresa privada. Segundo ele a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) impede o repasse de recursos para o pagamento de funcionários de uma empresa privada. Santos também disse que a AIH foram transferidas porque o hospital não mantém médicos. Ele explica que a expectativa da administração era de que a Gerhospar realizasse investimentos no hospital, mas não ocorreu nenhuma melhoria. ''O Hospital sempre funcionou de maneira precária, mas a situação ficou mais grave'', disse.


O promotor de justiça de Joaquim Távora Almir Carreiro Jorge Santos disse que foram realizadas várias reuniões para a resolução dos problemas. Ele explicou que, apesar da mobilização da comunidade, não ocorreu nenhum acordo entre os envolvidos. Santos adverte que deve encaminhar uma série de documentos para o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa da Saúde Pública, em Curitiba, para serem avaliados e que o Ministério Público pode acionar juridicamente os responsáveis. Os membros dos Vicentinos não foram encontrados para comentar o caso.

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