Santa Casa será questionada sobre morte de menina
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Carina Paccola 
O promotor de Defesa das Garantias e Direitos Constitucionais de Londrina, Paulo Tavares, pretende chamar a diretoria clínica da Santa Casa para prestar esclarecimentos sobre o não-atendimento à menina Michele Alves Rodrigues, que morreu domingo à noite a caminho do posto de saúde José Belinati (centro). A família dela acusa a Santa Casa de negligência.
A diretoria da Santa Casa constituiu uma comissão interna de sindicância para apurar os fatos relacionados ao episódio, conforme nota divulgada ontem pelo hospital. Segundo o comunicado, as pessoas envolvidas serão ouvidas e as conclusões deste trabalho e as providências estarão à disposição das autoridades. A Irmandade da Santa Casa lamenta profundamente o ocorrido, mas reitera que sempre atendeu e pretende continuar atendendo a população mais necessitada, diz a nota.
O promotor Paulo Tavares afirma que vai pedir ao delegado do 1º Distrito Policial, Algacir Ramos, que preside o inquérito, para que dê atenção especial a esse caso e que aja com a maior rapidez possível. Vou acompanhar o andamento do inquérito e chamar a Santa Casa para prevenir a ocorrência de outros fatos dessa natureza. Se há uma falha estrutural, deve ser corrigida.
O promotor diz ter visitado no ano passado os hospitais da Cidade com a orientação de que o pronto-socorro deve prestar assistência, estando ou não de plantão. Fizemos várias reuniões com a área de saúde. Desde o final do ano, estávamos tranquilos em relação aos prontos-socorros, pois fazia tempo que não surgia uma denúncia como essa.
Ontem, a dona-de-casa Marilze Ramos de Oliveira, procurou a Folha para dizer que, no início do ano passado, também teve atendimento recusado pela Santa Casa para sua filha de 11 anos. Segundo Marilze, era uma sexta-feira à noite, quando a menina teve a testa cortada numa brincadeira. Já passava das dez da noite e fui de carro, com meu marido, até a Santa Casa. Fui barrada logo na portaria quando souberam que somos conveniados do IPE.
Marilze afirma que a família dirigiu-se, então, ao Hospital Universitário, onde a filha recebeu pontos na testa. O problema é que nós, brasileiros, nunca reclamamos. Resolvi falar agora por causa desse fato, mas deveria ter me queixado logo em seguida.


