A Santa Casa de Londrina quer obter o título de hospital referência em urgência e emergência, que é concedido pelo Ministério da Saúde (MS). Para tanto, já incluiu – em uma reforma iniciada há pouco mais de um mês – a instalação de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para atendimento de traumas. Na cidade, somente o Hospital Universitário (HU) é considerado referência nesta área. A reforma na Santa Casa vai ampliar para 240 o número de leitos, dentre eles, 29 na UTI e 41 no pronto-socorro.
Com o título de hospital referência, a Santa Casa poderia receber 50% a mais
da verba do governo federal para o repasse dos atendimentos de urgências e emergências. O superintendente da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal), Fahd Haddad, responsabiliza o governo do Paraná por não indicar a instituição para receber o título. Ele conta que o hospital é reponsável por 70% dos casos atendidos pelo Siate na região. ‘‘É uma injustiça que se comete com a Santa Casa’’, reclamou.
A diretora da 17ª Regional de Saúde, Rosilene Aparecida Machado, discorda de Haddad e afirma que a Santa Casa consta na rede de oficial do Estado. Ela lembra que em 1998, uma portaria do Ministério da Saúde criava a rede de referência e estabelecia alguns critérios. A Santa Casa, apesar de não atender todas as exigências, recebeu parecer favorável da secretaria.
Ainda segundo Rosilene Machado, em janeiro de 1999 uma equipe do MS esteve em Londrina para uma avalição surpresa e detectou a ausência de um aparelho de tomografia no hospital, descredenciando o estabelecimento. O revezamento no plantão de 24 horas com o Hospital Evangélico também influenciou no descredenciamento. Na época, a 17ª Regional pediu ao governo federal um prazo para que a instituição pudesse se adequar às exigências.
Segundo a diretora de Avaliação, Controle e Auditoria da Secretaria Municipal de Saúde, Rosângela Libanori, em abril de 1999 uma nova portaria do MS, criou três níveis de referência de urgência e emergência. A Santa Casa está, desde fevereiro deste ano, habilitada no nível 1 (o menor deles) que lhe dá direito a um repasse extra de 20%, que corresponde em média R$ 30 a R$ 40 mil mensais.
Este recurso, apesar de ser determinação federal, é pago pelo município. Rosângela lembra ainda um convênio firmado com a Santa Casa através do Fundo Municipal de Sa© úde que paga alguns procedimentos de urgência e emergência. O convênio garante pagamento extra de mais R$ 80 mil.
As reformas da Santa Casa, conforme noticiou a Folha ontem, provocarão o fechamento do pronto-socorro para consultas por 90 dias, a partir de 15 de janeiro, recebendo só os casos de urgências e emergências. O pronto-socorro terá um aumento de 1.756 m2, com um centro de emergência e trauma, a instalação do aparelho de tomografia computadorizada e uma área maior para o pronto-atendimento de urgência. A instituição terá o hospital-dia, que é uma área específica para atender procedimentos e cirurgias de curta permanência. O telhado do prédio, com mais de 60 anos, também está sendo trocado. As obras custarão R$ 811 mil e os recursos foram obtidos através de emendas orçamentárias de autoria de três deputados federais de Londrina.

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