A Central de Transplante do Paraná e o centro de Cardiologia da Santa Casa de Curitiba estão tentando junto ao Ministério de Saúde a regulamentação de bancos de válvulas cardíacas. Atualmente, o único banco do País fica justamente na Santa Casa, que fornece para diversos Estados. O problema é que, como este serviço não é regulamentado, os custos de preparação da válvula acaba sendo custeado pelo hospital. ‘‘A intenção é que o governo federal custeie este procedimento, para que o banco existente no Paraná deixe de ser deficiente, possibilitando um número maior de transplantes’’, explica a coordenadora da central, Cristina Von Gehlen.
Pela proposta paranaense, o ministério pagaria R$ 1.800,00 por este procedimento - valor equivalente à de uma prótese mecânica. ‘‘O que se propõem não é o ideal, mas o que a realidade permite’’, diz o diretor do centro cardíaco da Santa Casa, Francisco Costa. Em países europeus e nos EUA, o custo para implantação de uma prótese oscila entre US$ 3 mil a 7 mil. ‘‘Se continuar desta forma, com o hospital bancando estes gastos, o banco vai ter de fechar’’.
Outro ponto importante na regulamentação é o uso das válvulas. Como a doação é feita gratuitamente pela família, seria preciso criar regras para cobrar pelo tratamento feito na válvula. A proposta sugere que o mecanismo seja o mesmo adotado com relação a doação de sangue.
Costa diz que a regulamentação do banco é uma forma de garantir também a qualidade na retirada de válvula. Segundo o médico, seriam criados critérios básicos para remoção da válvula, que seriam universalizados em futuros bancos espalhados pelo País. A Santa Casa realiza este procedimento há três anos, quando desenvolveu tecnologia própria.
O médico explica que a retirada é feito dos corações doados pelas famílias de pacientes com morte encefálica. Para realizar a retirada é preciso que haja um profissional treinado especificamente para a função. Após a remoção da válvula, ela é preparada em laboratório, sendo desinfectada para evitar qualquer tipo de contaminação ao receptor. Em seguida, é congelado em um aparelho que diminui um grau a cada hora, até alcançar o valor de 167 graus negativos. Segundo Costa, a manutenção da válvula em hidrogênio líquido é o mais caro do processo.

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