Santa Casa propõe discussão sobre médicos
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sexta-feira, 25 de junho de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
O protesto dos plantonistas do setor de neurologia da Santa Casa de Londrina, que estão há três dias sem prestar atendimento, já começa a repercutir em outros prestadores do SUS. Anteontem à noite, médicos endoscopistas se reuniram na Associação Médica de Londrina (AML) para discutir as condições de trabalho. Segundo o Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná, o movimento é nacional e a discussão começará a ser interiorizada nos próximos dias.
Ontem, o superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, o único dos 12 neurologistas do hospital que continua prestando serviços confirmou, em entrevista coletiva, que não há dinheiro para pagar a remuneração fixa reivindicada pelos plantonistas. Eles são remunerados por produção. Os médicos alegam que por ficar a disposição do hospital não podem ter outros compromissos. Uma reunião foi marcada para próxima terça-feira para tentar demover os profissionais do protesto. O hospital, contudo, não deve apresentar nenhuma proposta de remuneração imediata.
Segundo Haddad, o pagamento da remuneração de R$180 por plantão pedida pelos médicos traria um impacto financeiro de aproximadamente R$ 200 mil ao hospital, um terço do total de recursos repassados pelo SUS. O levantamento foi feito com base na escala de todos os especialistas de plantão. ''Concordamos que a reivindicação é justa, que o SUS paga pouco, mas não há como alocar esses recursos'', afirma.
A proposta da Santa Casa para resolver o impasse é tentar obter uma suplementação via Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o que não será uma discussão fácil. O secretário de Saúde de Londrina, Sílvio Fernandes, já afirmou que a responsabilidade do pagamento não é do município.
Outra solução, segundo Haddad, seria a implantação da tabela de complexidade do Ministério da Saúde (MS) para os Prontos Socorros. No setor de internação, o MS paga um percentual maior que a tabela normal para os hospitais de complexidade. ''Está na hora de fazer uma grande discussão que envolva município e médicos'', disse.
Atualmente, apenas Haddad presta atendimento neurológico de emergência na Santa Casa e Hospital Infantil. Segundo ele, o atendimento ''não é o ideal'' mas não houve recusa de pacientes por conta do protesto. A Santa Casa recebe cerca de 60% dos pacientes de emergência de alta complexidade via Siate.
Na reunião de anteontem, os neurologistas confirmaram o protesto. ''Esperávamos a participação da diretoria da Santa Casa e do município, o que não ocorreu, assim vamos aguardar a reunião de terça'', afirma o presidente da Cooperativa de Neuros do Norte do Paraná, Pedro Garcia Lopes.
Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná, José Luiz de Oliveira Camargo, o protesto dos neuros é um reflexo do movimento nacional da classe médica pela revisão da tabela do SUS. A Associação Médica Brasileira acaba de propor uma nova forma de classificação de procedimentos.


