Santa Casa precisa de R$ 5 milhões
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quinta-feira, 20 de julho de 2000
Marta Medeiros De Maringá Especial para a Folha 
A Santa Casa de Maringá reúne hoje representantes da comunidade para apresentar as causas da inadimplência e falta de dinheiro para investimentos. Segundo o diretor-presidente da Santa Casa, Daniel Graf, a instituição precisa de R$ 5 milhões, sendo que 60% será para o pagamento de dívidas e o restante para investimentos e reestruturação administrativa. A reunião será a partir das 20 horas, no auditório do hospital.
Neste primeiro encontro será formada uma comissão de apoio com 35 pessoas ligadas aos setores público e privado. Para Graf, as negativas do governo federal para o repasse de recursos através de programas ou parcerias aumentam ainda mais o problema financeiro. Segundo ele, as dívidas foram provocadas pelas políticas econômicas e defasagem nos repasses do Sistema Único de Sa© úde (SUS), que limitaram a capacidade do hospital na manutenção dos atendimentos. A Santa Casa mantém convênio com a prefeitura para realização de partos (a capacidade é de 200 partos/mês). Do total de atendimentos, 30% são pacientes do SUS.
Graf acredita que a sociedade deve se sentir responsável pela Santa Casa por causa do caráter filantrópico da instituição e do atendimento aos carentes prestados sem interrupção ao longo dos anos. Vamos agora nos tornar transparentes para que as pessoas conheçam a nossa realidade, dificuldades e anseios, afirma o diretor-presidente.
Durante a reunião, os dirigentes pretendem fazer uma minuciosa exposição da situação e perspectivas para o futuro. Para se ter uma idéia do levamentamento histórico feito pelo hospital, funcionários leram todas as atas de reuniões realizadas desde a fundação, em 1954. Todos os acordos e convênios não cumpridos pelos poderes municipal e estadual encontrados durante a leitura foram notificados para a realização de um relatório.
Outro objetivo do hospital para o encontro de hoje à noite é denunciar as ingerências políticas, a chamada politicagem existente em outros setores ou órgãos públicos que acabam prejudicando o atendimento da Santa Casa. O hospital critica o direcionamento proposital de pacientes que demandam tratamento caro e prolongado. A direção prefere, no entanto, denominar os causadores da situação somente durante a reunião e com a exposição do relatório.


