A Santa Casa de Londrina pode decretar nas próximas horas suspensão no atendimento de emergência devido à falta de infra-estrutura. A informação é do chefe do pronto-socorro, Sérgio Canavese, com base na transformação da sala de emergência em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Até o final da tarde de ontem, o local abrigava três pacientes em estado grave. ‘‘O problema é que eles utilizam todo o equipamento destinado aos casos urgentes que podem chegar a qualquer momento. Se o poder público não nos ajudar seremos forçados a recusar novos pacientes’’.
De acordo com Canavese, o Hospital Universitário não está atendendo todos os casos de emergência como tem divulgado o comando de greve dos funcionários. Na noite de terça-feira, o pronto-socorro da entidade internou um homem diabético em estado de pré-coma que havia sido rejeitado pelo HU. Segundo o chefe do PS, a alegação dada à família do paciente é que o caso não era grave. Ontem à tarde, ele foi o primeiro dos quatro doentes a deixar a sala de emergência para ser atendido na UTI.
Com o feriado prolongado, a Santa Casa teme não suportar a demanda de emergências. Canevese disse que a entidade tem procurado contornar a situação com o apoio da Central de Leitos da 17ª Regional de Saúde, mas até agora não obteve êxito. ‘‘Não há vagas em outros hospitais. Com o HU e HC em greve, praticamente não há alternativa dentro do serviço público’’.
A UTI da Santa Casa tem 16 leitos reservados para o Sistema Único de Saúde (SUS) e 4 para os convênios médicos, no entanto, ontem ela mantinha 23 pacientes, sem contar os três da sala de emergência.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde de Londrina (SinSaúde), Ana Maria da Cruz, reafirmou ontem que os grevistas não barram os casos graves que chegam ao portão do HU. A Folha tentou repercutir o assunto com a superintendência do hospital e também com a chefia do pronto-socorro, mas não encontrou os responsáveis.
Em Curitiba, os funcionários em greve do Hospital das Clínicas, vinculado a Universidade Federal do Paraná (UFPR), vão diminuir ainda mais os leitos de atendimento à população. Ontem, depois de ameaçar parar todos os serviços, os grevistas negociaram com a direção do hospital, que devem cair de 294 para 250 o número de internamentos. Em dias nornais, o HC dispõe de 630 leitos.
‘‘Para não interromper o atendimento, os funcionários vão atender apenas aquelas especialidades, cujo os outros hospitais não clinicam’’, advertiu o presidente do sindicato dos servidores da Universidade Federal do Paraná (Sinditest), Antônio Neris de Souza. Atualmente, estão trabalhando apenas 600 dos 2.050 servidores.
Desde que entraram em greve, dia 10 de maio, os servidores da UFPR vêm mantendo os serviços essenciais do Hospital em funcionamento. Além dos 2.050, o HC tem mais aproximadamente mil funcionários contratados através da Fundação HC, os quais não estão em greve. (Colaboraram Israel Reinstein e Maigue Gueths, de Curitiba)

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