Santa Casa não será mais credenciada
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de janeiro de 1999
Célia Baroni 
O credenciamento da Irmandade Santa Casa de Londrina como integrante do Sistema Estadual de Referência Hospitalar para o Atendimento de Urgência e Emergência foi suspenso. A portaria do Ministério da Saúde foi publicada no dia 30 de dezembro. Além da Santa Casa de Londrina também foi descredenciado o hospital Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte (MG).
O motivo alegado para a suspensão do credenciamento foi a não observância de alguns critérios exigidos pelo Ministério da Saúde - falta de um tomógrafo e atendimento ininterrupto -, conforme vistoria realizada por técnicos da Secretaria de Assistência à Saúde no mês de dezembro.
O superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, disse ter se surpreendido com a portaria do MS. A portaria é injusta e prejudica o município, afirma Haddad. Segundo ele, a Santa Casa realmente não tem um tomógrafo e os exames que precisam ser feitos com esse aparelho são terceirizados. Há um tempo nós optamos por adquirir um aparelho de ressonância magnética, que é o único credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região, já que em Londrina existem três tomógrafos. Como o MS, exige nós estamos providenciando a compra do equipamento. O estranho é que outros hospitais do Paraná não têm o tomógrafo e mesmo assim não perderam o credenciamento.
Sem o credenciamento, a Santa Casa deixa de receber uma verba adicional de 50% - aproximadamente R$ 50 mil por mês - destinado a melhoria dos hospitais de referência.
O secretário municipal de saúde, Agajan Der Bedrossian, lamentou ontem a suspensão da habilitação da Santa Casa. Estávamos tão perto de ter um avanço considerável na qualidade do atendimento hospitalar na cidade. É lamentável. Voltamos ao ponto de partida, disse. Com a suspensão da habilitação da Santa Casa, e a posição do Hospital Evangélico, que não quis participar do programa, Londrina terá como hospital de referência apenas o Hospital Universitário. Segundo Bedrossian, a Santa Casa deveria ter iniciado o atendimento ininterrupto em outubro. O prazo foi adiado para novembro porque o hospital alegou que precisava de algum tempo para adequar o atendimento ao novo ritmo imposto pelo Sistema de Referência. Até hoje, no entanto, o hospital não iniciou o atendimento ininterrupto.
O secretário explicou que o problema da Santa Casa continuar mantendo o plantão em escala de revezamento com o Hospital Evangélico foi levantado pelos técnicos do Ministério da Saúde em sua visita ao hospital em dezembro. A Santa Casa argumentou que atende ininterruptamente casos de acidentados; mas o Ministério entende que urgência e emergência incluem todo tipo de atendimento, comentou.
Haddad, diz que não é verdadeira a informação de que o hospital não está atendendo 24 horas por dia. Nossos registros mostram que fazemos de 13 a 17 internamentos, através do PS, de pacientes do SUS, por dia. Segundo Haddad, só com o PS a Santa Casa tem um déficit de R$ 70 mil por mês. O custo de uma consulta médica no PS é de R$ 5,00. O médico que faz o atendimento recebe R$ 2,00 e o hospital não recebe nada.
Haddad disse ainda que haverá uma reunião entre os diretores do hospital para decidir o que fazer. Ele comenta que o hospital poderá até optar pelo não atendimento aos pacientes do SUS. (Colaborou Cláudio Osti)


