Santa Casa melhora diagnóstico de infarto
Maigue Gueths
A Santa Casa de Misericórdia de Curitiba conta desde ontem com um novo equipamento, o Coroskop Plus, que vai garantir um diagnóstico preciso e imediato de obstruções cardíacas. O novo sistema, disponível para pacientes do SUS e de convênios, será de grande importância para o atendimento rápido a infartados. Estatísticas mostram que metade dos pacientes com infarto chega aos centros médicos com poucas chances de sobrevida. O aparelho custou R$ 1 milhão e foi adquirido por empresas terceirizadas que prestam serviço à Santa Casa.
Pelo sistema convencional, a demora é de mais de uma hora para que o médico tenha o resultado do exame e cheque o tipo de obstrução apresentado pelo paciente. O Coroskop Plus, fabricado pela Siemens, usa método semelhante ao convencional. Através de uma artéria do braço ou da perna é inserido um cateter e injetado um contraste líquido na coronária. Acionado o aparelho, a imagem é registrada num sistema de raio X. A diferença é que pelo sistema convencional, o filme ainda tinha que ser revelado. Já o Coroskop tem imagem digital em tempo real, que é gravada em CD. Isso permite que os casos mais complexos possam ser discutidos via Internet por uma junta médica internacional.
A economia de tempo no diagnóstico com o novo equipamento é fundamental. Segundo o diretor clínico do Serviço de Cardiologia (Digicor) da Santa Casa, o cardiologista Lázaro Garcia, entre 40 a 50% dos pacientes que têm infarto agudo em casa morrem a caminho do hospital e outros 9% morrem dentro do hospital. Os equipamentos existentes já registram as mesmas imagens, mas com a qualidade digital a imagem é bem superior, ampliando a nossa capacidade de fazer o diagnóstico. A qualidade da imagem permite, também, definir com exatidão o tipo de tratamento a seguir, se por uso de medicamentos, intervenção cirúrgica ou angioplastia.
Foi este o caso de Kurt Gluck, de 75 anos, que há duas semanas procurou o hospital queixando-se de dores no peito. Com o novo aparelho, verificou-se que uma coronária estava totalmente obstruída e só ocorrera um infarto graças à presença de uma circulação colateral. Gluck será submetido, na próxima semana, a uma angioplastia com colocação de malha de stent, que mantém o vaso dilatado. Há dois anos ele já tratou de uma lesão de artéria com este mesmo método, com sucesso. Ainda bem que eles viram a obstrução na hora certa, diz.
A doença coronária é muito traiçoeira. O primeiro sintoma pode ser a morte, alerta o médico, lembrando que as pessoas muitas vezes não se dão importância a sintomas que podem caracterizar uma doença cardíaca ou a confundem com outros males. Dores de estômago seguidas de tonturas e alterações da pressão arterial podem não ter relação com males do aparelho digestivo e sim indicarem sinais de um infarto. Estatísticas mostram que nas primeiras seis horas após o infarto o paciente ainda tem chance de reverter uma obstrução cardíaca. Já a partir do momento em que a artéria vai se fechando, parte do músculo cardíaco necrosa e perde suas funções.





