Santa Casa interna pacientes adultos até em berços
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quarta-feira, 20 de agosto de 1997
Edmara Michetti Londrina 
Mário CésarDesconfortoMulheres internadas em berços ontem na Santa Casa: pés inchados, cãimbras e dores pelo corpoA Santa Casa de Londrina viveu, nesta semana, o pior plantão da história dos últimos 10 anos do hospital. A avaliação é da diretoria da Santa Casa. O tumulto no hospital foi provocado pela complexidade dos casos atendidos, impedindo a liberação dos pacientes logo depois do atendimento como deve ser nos prontos socorros. Sem números exatos, a direção do hospital calcula que 30% dos casos que passaram pelos plantões de segunda e terça-feira precisaram dos cuidados do Centro de Tratamento Intensivo (CTI). O número de atendimentos chegou a 469 nos dois dias, não ultrapassando a média dos dias mais movimentados.
Ontem à tarde, 54 pacientes atendidos pelo PS durante os plantões continuavam internados. O número geralmente gira entre 35 e 40. A maioria dos casos de internamentos era de Londrina e apenas 11 de cidades da região. Sem leitos suficientes, eles foram instalados precariamente em macas pelos corredores, cadeiras, bancos de espera, consultórios, sala de emergência e até em berços. Não podemos continuar assim. Nos sentimos na Idade da Pedra. É uma afronta ver paciente num berço de criança, lamenta a diretora geral da Santa Casa, irmã Rosa Maria Ruthes.
Uma das pacientes que continuavam no berço ainda ontem à tarde tinha 74 anos. Sem querer se identificar, ela mostrou os pés inchados e contou que passava a maior parte do tempo na cadeira para aguentar dormir no berço à noite. Não dá para se mexer. Começa a dar cãimbras, disse. Leocádia Schineita, 54 anos, também estava no berço. Com pedra na vesícula, ela espera um leito para fazer a cirurgia marcada para ontem às 14 horas. Tomara que tenha leito logo porque aqui não dá para se esticar que os pés ficam de fora e gelados. A gente que sofre da coluna e fica espremido sente dor pelo corpo todo, reclamava.
Com os 20 leitos para CTI adulto ocupados, 11 pacientes precisaram ser entubados em espaços alternativos esperando uma vaga na unidade. Outros cinco pacientes de CTI tiveram o atendimento improvisado. Um deles era vítima de acidente automobilístico e, mesmo em estado grave, precisou ficar na enfermaria. O hospital também registrou aumento no número de parturientes. Quatro gestantes que chegaram quando a maternidade, com 25 leitos, já estava lotada, tiveram que ser atendidas em outro espaço. Segundo a irmã Rosa Maria, a Maternidade Municipal havia enviado um fax durante a tarde do plantão informando que estava atendendo na capacidade máxima.
Não conseguíamos transferir ninguém porque os outros hospitais também estavam cheios, disse. Como os pacientes eram graves, só poderiam ser transferidos para outro hospital terciário (com atendimento em CTI) - Hospital Evangélico e Hospital Universitário.
Na opinião do presidente do Conselho Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, a solução do problema não está na implantação de novos leitos de UTI na Cidade. Temos 86 leitos - número suficiente para Londrina e região (outros 18 municípios que fazem parte da 17ª Regional de Saúde), diz. O problema, na opinião dele, é a absorção de pacientes de outras regiões que continuam sendo encaminhados a Londrina sem passar pela Central de Leitos.


