Santa Casa fecha as portas em Paranavaí
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de outubro de 2001
Marta Medeiros <br> De Maringá 
A Santa Casa de Paranavaí fechou ontem as portas colocando em risco a população de 28 municípios da região Noroeste. O hospital é o maior de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o único com estrutura de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A crise piorou nos últimos dias com a greve dos funcionários e levou os médicos a pedirem uma interdição junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM). Segundo o médico Jorge Pelisson, integrante do Conselho Técnico da Santa Casa, os outros dois hospitais de Paranavaí não têm condições de atendimento para casos complexos.
A referência mais próxima é Maringá, que fica a 70 km de Paranavaí. ''Se alguém tiver algum problema grave terá que contar com a sorte no fator tempo, ou seja, para conseguir chegar em Maringá'', disse Pelisson.
A crise levou também às renúncias do presidente da Santa Casa, Antônio Plácido Vendramin, e do tesoureiro Ilton Reeberg Garcia. Os dois não suportaram pressões vindas principalmente dos funcionários do hospital. ''Existe também uma exigência da comunidade para a mudança da diretoria administrativa como contrapartida de ajuda à Santa Casa'', explicou o médico. O hospital é administrado por uma empresa chamada Gerhospar. Por causa dos problemas financeiros - a dívida é de R$ 3,5 milhões - o Ministério Público abriu inquérito para investigar a documentação contábil da Santa Casa.
Segundo Pelisson, duas reuniões marcadas para a próxima semana vão definir o destino do hospital. ''A comunidade agora está unida em torno da Santa Casa'', ressalta.
O médico disse ainda que duas comissões vão analisar até terça-feira os problemas mais graves e urgentes do hospital. ''Os números serão levados para as reuniões e a partir daí poderemos ter algumas soluções'', acredita Pelisson.


