Um ex-jogador de 66 anos foi o primeiro paciente do Paraná a passar por uma cirurgia para retirada do pulmão pelo método de videotoracotomia, realizado por uma equipe da Santa Casa de Londrina. A cirurgia foi realizada no dia 7 de maio e a recuperação surpreendeu os médicos. O objetivo da direção do hospital é viabilizar a realização do procedimento através do Sistema Único de Sáude (SUS).
A cirurgia foi realizada pela equipe formada pelos pneumologistas e cirugiãos torácicos Marcos José Tarasiewich, Ricardo Lucatto Baida e Otávio Goulart Fan. O paciente Armezindo Duarte, que foi volante do Juventus e Joinville (SC), sofria com as sequelas de uma tuberculose tratada há 30 anos. Ele conta que há duas semanas passou a sentir cansaço extremo nas tarefas mais simples. ''Não vejo a hora de voltar a jogar bola'', comentou.
A cirurgia foi feita no dia 7 de maio. O paciente ficou dois dias na UTI e teve alta precoce. Três dias depois ele já estava apto a voltar para casa, mas permaneceu internado por uma semana por precaução. Essas são as principais vantagens: redução do tempo de internação e dos riscos de uma cirurgia convencional, que implica na abertura do tórax do paciente.
O cirurgião Tarasiewich explicou que o método usado na cirurgia de Duarte é ''minimamente'' invasivo. A retirada completa do pulmão esquerdo foi feita através de três pequenas incisões - duas de 1 cm e uma de 1,5 cm. O órgão foi dividido em quatro partes para ser retirado.
Tarasiewich explica que a técnica é uma verdadeira evolução da cirurgia torácica. Uma avaliação foi feita anteriormente para escolher o procedimento, uma vez que a cirugia por vídeo não é indicada, por exemplo, para pacientes com risco anestésico alto.
Segundo ele, o pulmão direito de Duarte é perfeito. A retirada do esquerdo serviu para melhorar a qualidade de vida. ''Hoje, todo o sangue que circula pelo corpo do paciente passa pelo pulmão que funciona perfeitamente'', explicou.
O procedimento custa entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. Como não é autorizada pelo SUS, a cirurgia foi viabilizada graças à Santa Casa e aos fornecedores que cederam o material, como pinças e grampos, que são descartáveis e mais modernos e adequados. ''Esperamos que o poder público possa autorizar este tipo de procedimento através do SUS'', reivindicou o superintendente do hospital, Fahd Haddad.
Para a Santa Casa, já existe um precedente positivo. As primeiras cirurgias não-invasivas para retirada de pedra no rim feitas pelo hospital foram bancadas pela própria instituição. Posteriormente, o procedimento passou a ser custeado pelo SUS.

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