Uma cirurgia inédita em todo o Paraná, realizada ontem na Santa Casa de Londrina, traz novas esperanças às vítimas de miocardiopatia dilatada (coração aumentado) que estão na fila de espera para transplante do órgão. O cirurgião cardiologista Roberto Takeda implantou ontem no aposentado Guilherme Segura Marangueli, 48 anos, um novo tipo de marca-passo, o ressincronizador ventricular, que sincroniza os movimentos do coração dilatado. Importado dos Estados Unidos, o aparelho é computadorizado e melhora a qualidade de vida do paciente, aumentando de 22% para 40% a capacidade de funcionamento do órgão.
De acordo com o médico, o ressincronizador é importante porque prolonga a vida, dando condições de esperar o aparecimento de um doador compatível para o transplante. ‘‘Cerca de 40% das vítimas da doença morrem na fila de espera, sem conseguir um doador’’, afirmou. No Paraná, 40 pessoas esperam por um novo coração. Em todo mundo, 22 milhões de pessoas sofrem de insuficiência cardíaca, dois milhões delas no Brasil.
O aparelho custa US$ 7 mil e também é indicado para aqueles que possuem o coração dilatado mas não podem realizar o transplante, por causa de outras doenças ou da idade. ‘‘O equipamento não vai curar, mas aumentará a qualidade de vida, o que já é uma grande vantagem’’, ressaltou Takeda.
A cirurgia é feita com anestesia local, através de uma incisão de 10 centímetros. Bastante tranquilo antes de enfrentar o procedimento, Marangueli estava contente por ser o primeiro a receber o ressincronizador no Estado. ‘‘Eu não posso fazer esforço, espero que a operação diminua meu sofrimento’’, disse o aposentado, que entrou recentemente na fila de espera para transplante.
Takeda fez um curso de dois anos nos Estados Unidos para tornar-se apto a realizar o procedimento. Dois engenheiros e uma enfermeira da empresa fabricante do novo marca-passo acompanharam a cirurgia, para evitar possíveis contratempos. O tratamento de Guilherme Marangueli foi pago por seu plano de saúde, mas o cardiologista advertiu que o processo deve estar disponível também pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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