Santa Casa faz captações de órgãos
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quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Fernando Rocha Faro<br>Equipe da Folha 
Londrina - As equipes da Santa Casa de Londrina realizaram ontem captações de órgãos de dois pacientes que morreram na instituição. Ambos tiveram paradas cardiorrespiratórias. Os órgãos e tecidos foram encaminhados para bancos em Curitiba e Maringá, antes de serem transplantados. De acordo com a Central de Transplantes de Londrina, novembro foi um dos meses com maior número de captações.
A família do eletricista Lucas Ferreira, 19 anos, morto num acidente de moto ocorrido na noite de segunda-feira na Zona Oeste, decidiu autorizar a doação porque o jovem já havia manifestado essa vontade. Foi possível fazer a captação das válvulas do coração, ossos e córneas.
"Ele sempre comentou, mas em tom de brincadeira, que queria doar. Nossa família sempre teve essa consciência", comentou o pai dele, Paulo Sérgio Ferreira, 51.
Ontem seria o primeiro dia de trabalho de Lucas num novo emprego. O acidente ocorreu depois que ele buscou a namorada, que sofreu ferimentos leves mas, de acordo com os parentes de Lucas, já foi liberada. "A expectativa é que ele estivesse vivo. Mas mesmo com a morte dele o Lucas fez alguma coisa de bom para alguém", comentou o irmão João Paulo.
A outra doação de órgãos foi autorizada pela família de Maria Joana da Silva, 56, paciente clínica que tinha pancreatite aguda. Os parentes preferiram não conversar com a imprensa. A Santa Casa informou que as válvulas cardíacas dela poderão ser aproveitadas.
De acordo com a coordenadora da Central de Transplantes, Evanira Chiquetti, a retirada dos ossos do paciente foi feita por uma equipe de ortopedistas do Banco de Ossos da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os ossos e tendões ficarão em quarentena e o número de pacientes beneficiados vai depender da necessidade dos pacientes.
Membro da comissão intra-hospitalar de doação de órgãos e tecidos da Santa Casa, Kátia Fermino Silva Barbosa, sete abordagens a familiares de pacientes foram bem sucedidas na instituição apenas neste mês. A média mensal é de duas captações. Para ela, o aumento é resultado do empenho dos profissionais nas abordagens aos familiares e da divulgação promovida durante a Semana Nacional de Doação de Órgãos, comemorada em setembro.
"A divulgação de casos de doação pela imprensa ajuda porque as famílias passam a conversar sobre o tema e as pessoas revelam em vida quando têm vontade de doar", ressalta Kátia.


