Santa Casa é acusada por morte de bebê
Telma Elorza
De Londrina
Familiares da dona de casa Edilene Toledo da Silva Fortes, 18 anos, moradora à Rua Santa Margarida, 374, Vila Fraternidade (zona leste de Londrina) estão revoltados com a morte do bebê que ela esperava. O pai da criança, o entregador Fábio Camargo Fortes, 22 anos, acusa de descaso a Santa Casa de Londrina e os médicos que atendera Edilene há uma semana, quando deu entrada no hospital com dores fortes, na 36ª semana de gestação. Segundo os familiares, na ocasião, Edilene foi medicada e liberada mesmo passando mal. No último domingo, ela teria voltado ao hospital onde foi constatada a morte da criança ainda no ventre. Edilene teve que ser submetida a uma cesária, quando se descobriu que o bebê estava morto há pelo menos três dias.
No velório do filho, ontem de manhã, Fortes não se conformava com a morte da criança, a primeira do casal. Segundo ele, a esposa começou a sentir dores do parto no dia 7 de abril. O casal foi até Hospital Universitário de Londrina (HU) e, de lá, encaminhado para a Santa Casa. De acordo com o entregador, o casal teria ficado muito tempo esperando por atendimento. Eles queriam dispensar a gente. A enfermeira-chefe Edilaine falava com alguém ao telefone e dizia que não ia deixar a minha mulher sair sem ser atendida.
Ele disse que depois de muita insistência, um
clínico geral atendeu Edilene. O doutor Henrique examinou minha esposa e disse que o caso era para ginecologista, disse. Então o médico entrou em contato, por telefone, com um ginecologista. Pelo telefone, sem examinar minha mulher, ele mandou aplicar uma injeção de Aerolin para segurar o nenê. Depois disso, ela começou a passar mal, e nos mandaram para casa.
No sábado de manhã, Edilene teve outra crise de desmaio e foi levada ao HU. Ela ficou em observação por duas horas e mandaram embora, disse. Na noite de sábado, ela ainda estava bem e o bebê não mexia. Fomos de novo para Santa Casa e aí o Doutor Daniel (Ribeiro dos Santos) nos atendeu, disse. De acordo com o marido, a família teria pedido para fazer uma cesária, mas o médico teria se recusado. Ele disse que não era hora do bebê nascer e fomos dispensados.
De acordo com Fortes, durante a semana Edilene não teria sentido nada de estranho mas estava preocupada com o fato do bebê não se mexer. Ontem (domingo), ela amanheceu com dor de garganta e gripe e a gente foi até o posto de saúde José Belinati. Lá, o clínico que a atendeu tentou ouvir o coração do bebê e não conseguiu. Aí ele encaminhou a gente para a Santa Casa de novo, desta vez até de ambulância, disse.
Novamente no hospital, Fortes afirmou que o casal esperou mais de três horas até o médico Daniel dos Santos chegar para o atendimento. Ele chegou só às 16 horas e às 18 foi feita a cirurgia. A enfermeira ainda falou que não adiantava apressar o médico porque o que podia acontecer já tinha acontecido. Ela havia tentado escutar o coraçãozinho da criança e não tinha conseguido, disse.
Para os avós da criança, Aparecida e Paulo Moreno Fortes, houve descaso do hospital e dos médicos. Ela fez todo o pré-natal, estava tudo bem. Esta criança não precisava ter morrido. Eles só ficam jogando as pessoas, de um lado para outro e não fazem o que tem que fazer. A família registrou queixa na polícia e vai contratar advogado para entrar com uma ação contra o hospital e médicos.





