Santa Casa é acusada de omissão de socorro
Osmani Costa
Josoé de CarvalhoDesabafoRicardo Stein: ‘Se tiver alguma sequela na mão, vou à Justiça’O ex-professor e desempregado Ricardo Stein, 48 anos, esteve na noite de sexta-feira na Redação da Folha para denunciar o que considera omissão de socorro por parte do hospital Santa Casa de Londrina. Acompanhado por amigos e familiares, ele disse que esteve naquele Pronto-Socorro (PS) por mais de 30 minutos, sendo empurrado de uma sala para outra, sem receber qualquer tipo de atendimento.
‘‘A minha situação era grave. Ao tentar consertar uma batedeira em casa, sofri um corte profundo no pulso esquerdo. Sangrando muito, com o ferimento tampado por uma toalha, peguei uma carona e cheguei ao PS da Santa Casa. A pessoa que me atendeu perguntou se eu tinha algum convênio médico. Com a minha resposta negativa, ela disse que o PS não estava de plantão para atender pelo SUS, mas que chamaria uma enfermeira para ver o caso’’, contou Stein, que é casado, tem dois filhos e reside na Vila Recreio (área central).
Segundo ele, aí então começaram longos minutos de espera e enrolação pelos funcionários da Santa Casa. ‘‘Eles me levavam de uma sala para outra, mas não aparecia a tal enfermeira e nenhum médico. Fui ficando nervoso, porque não parava de sangrar. Eu comecei a falar mais alto, exigindo que fosse atendido, porque sabia que podia acabar perdendo os movimentos com os dedos e mão esquerda, se demorasse muito para receber o tratamento necessário’’, disse Stein.
‘‘A enfermeira apareceu mais de meia hora depois. Nem olhou o ferimento direito e disse que não poderia fazer nada por mim. Que eu teria que me virar sozinho, procurando o Hospital Universitário ou o PS de plantão no hospital Alto da Colina, que é do Evangélico’’, ressaltou o ex-professor, lembrando que pediu então para ser transportado por uma ambulância. ‘‘A enfermeira informou que a Santa Casa não oferece este tipo de serviço. Foi aí que saí correndo para a rua, em meio à chuva, peguei um táxi mesmo sem estar com a minha carteira, e fui para o Alto da Colina.’’
Ricardo Stein afirmou que lá foi prontamente e bem atendido, pelo médico Magno Lopes. O ferimento foi limpo, o sangramento estancado, as veias e artérias rompidas foram religadas, e o local costurado com 11 pontos. ‘‘No Alto da Colina, os profissionais são sérios e o atendimento é de qualidade. Agora, na próxima semana, terei que procurar um neurologista para checar se há sequelas e novos procedimentos médicos a serem tomados. Caso eu tenha algum problema no braço e mão esquerda, vou à Justiça processar a Santa Casa por omissão de socorro e responsabilidade.’’
A assessoria de imprensa da Santa Casa negou que a situação do acidentado fosse de emergência e que ele não tivesse recebido um pronto atendimento. Segundo a assessoria, naquele dia realmente o pronto-socorro não estava de plantão, mas Stein teria recebido um atendimento tão rápido quanto possível. ‘‘Nossa enfermeira-chefe examinou o paciente e concluiu que o caso não era de urgência e nem de emergência; por isto ele foi encaminhado ao pronto-socorro de plantão no outro hospital. Era um caso comum, corriqueiro, sem urgência. Se não, teríamos atendido imediatamente, mesmo não estando de plantão’’, garantiu a assessoria da Santa Casa.

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