A Secretaria Estadual de Saúde deve receber ainda hoje um documento enviado pelo Conselho Municipal de Saúde e Secretaria Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu, solicitando que a Santa Casa Monsenhor Guilherme seja descredenciada do serviço de hemodiálise do Sistema Único de Saúde (SUS). Com o descredenciamento da Santa Casa, a Nefroclínica, empresa que atualmente faz o serviço para a Santa Casa, passaria a ser credenciada ao SUS.
O pedido, feito pelo Conselho Municipal de Saúde e Secretaria Municipal de Saúde, aconteceu depois que a Santa Casa deixou de repassar para a Nefroclínica a verba enviada pelo SUS. A direção da Santa Casa informou que a verba foi utilizada para o pagamento de funcionários. A dívida da Santa Casa com a Nefroclínica já chega a R$ 94 mil. Na semana passada, a Santa Casa repassou cerca de R$ 19 mil à Nefroclínica.
A médica nefrologista, Célia Barufatti, uma das proprietárias da clínica, disse que se a Nefroclínica não conseguir o credenciamento com o SUS, os 82 pacientes que fazem hemodiálise no estabelecimento correm o risco de ficar sem atendimento. ‘‘Se a Secretaria Estadual de Saúde não aprovar o nosso credenciamento, com certeza não teremos mais condições de continuar aqui. Todas as vezes que a diretoria da Santa Casa foi chamada para se esclarecer sobre o desvio da verba, ela se omitiu. Tentamos dialogar com a direção mas nunca conseguimos’’, disse. Segundo Célia, a Nefroclínica entrou com recurso contra a Santa Casa no Ministério Público.
O diretor-administrativo da Santa Casa, João Muller, disse que a dívida pendente entre a Santa Casa e a Nefroclínica já está sendo negociada. ‘‘Também estamos fazendo uma renegociação de contrato com a Nefroclínica. Mas em momento algum os diretores da Nefroclínica nos comunicaram do possível fechamento. Está tudo sobre controle’’, disse.
Muller também disse que não acredita na possibilidade de que a Santa Casa seja descredenciada do serviço de hemodiálise. ‘‘A Irmandade não vai abrir mão desse credenciamento. Não acho possível que isso aconteça’’, afirmou.
O secretário municipal de Saúde, Sadi Buzanello, foi procurado várias vezes pela Folha para falar sobre o assunto, mas não foi encontrado.

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