Uma reunião entre o corpo clínico da Santa Casa de Paranavaí, o Conselho Regional de Medicina (CRM) e o Ministério Público tentava ontem decidir o destino do maior hospital de atendimento público da região. A crise se agravou nos últimos 20 dias com a greve dos funcionários que estão sem receber salários. Os 12 médicos plantonistas do hospital são demissionários e o aviso prévio termina hoje. A morte de um jovem anteontem chamou ainda mais atenção das autoridades locais.
Na vistoria realizada ontem pelo CRM, o corpo clínico da Santa Casa pediu a interdição do hospital. Os médicos querem interromper o atendimento porque temem responder por crime de omissão de socorro por causa das condições precárias do hospital. O Ministério Público abriu um procedimento para apurar a situação da Santa Casa e deu prazo até segunda-feira para que a diretoria entregue os documentos solicitados.
O hospital tem uma dívida de R$ 3,5 milhões. Só a folha de pagamento consome cerca de R$ 100 mil mensais. A Associação dos Municípios do Noroeste (Amunpar) chegou a propor um rateio entre as prefeituras da região para custear o atendimento. Os prefeitos temem ficar sem o hospital, única referência do Sistema Único de Saúde para a grande maioria dos 28 municípios da região.
Durante o atendimento a um jovem de 17 anos de idade, de São João do Caiuá (35 km de Paranavaí), anteontem, os plantonistas da Santa Casa chegaram a abrir a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O jovem morreu por insuficiência respiratória por causa de problemas cardíacos. Conforme o plantão médico, caso o paciente tivesse resistido ao problema de coração, a UTI não poderia abrigá-lo por muito tempo porque as condições sanitárias ofereciam risco de uma infecção hospitalar.

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