Paranavaí A diretoria da Santa Casa de Paranavaí decidiu ontem fechar a maternidade do hospital, a única da região habilitada a fazer partos de alto risco. Com apenas dois obstetras na equipe de plantonistas, o setor não tem condições de realizar os procedimentos clínicos e garantir a segurança dos pacientes. ''Não tem como manter as atividades com apenas dois obstetras, só voltaremos a atender quando o quadro médico do setor estiver completo de novo. Não podemos arriscar quando temos a obrigação de garantir a vida das pessoas'', ponderou o diretor-clínico do hospital, Otávio Siqueira Neto.
Sem dinheiro para pagar um salário compatível com os parâmetros de mercado, a instituição não consegue evitar o êxodo de profissionais. Segundo o diretor, os dois obstetras receberam propostas mais vantajosas para deixar o hospital. Os salários dos médicos da maternidade são subsidiados pela prefeitura, que até o mês passado repassava R$ 15 mil mensais. O valor é dividido por especialidade: obstetrícia, anestesia e pediatria.
No final do mês, cada médico recebe, em média, cerca de R$ 1 mil para integrar a equipe de plantão. ''Sabemos que o salário é muito pequeno para um especialista.'' Ele admite ainda que o hospital enfrentará dificuldades para recompor o setor de maternidade. ''Não tem como negar que isso vai acontecer, mas estamos trabalhando para resolver o problema, negociando com a prefeitura e com o Estado'', disse.
Algumas medidas paliativas, como a contratação de profissionais temporários, podem resolver o problema a curto prazo. Segundo o diretor, até mesmo o Ministério Público está sensibilizado com a situação. Mesmo assim, a instituição ainda depende de um reforço financeiro para viabilizar os atendimentos a gestantes da cidade e região. Segundo o diretor, o secretário de Estado de Saúde, Cláudio Murilo Xavier, se comprometeu a destinar um aditivo para reajustar os salários do profissionais que trabalham no setor. O governo estadual já investe por mês R$ 60 mil na manutenção da Santa Casa. ''Acho que nos próximos 15 ou 20 dias teremos condições de fazer as contratações definitivas'', afirmou.
Na tentativa de amenizar o problema, o secretário municipal de Saúde, José Edgar Pereira, disse ontem à Folha que a prefeitura estará reajustando a partir deste mês os investimentos no hospital. ''Estamos propondo um aumento de R$ 15 mil para R$ 20 mil já em outubro. Se o dinheiro ainda não é o suficiente para pagar os médicos, a prefeitura está fazendo a parte dela.''
O secretário disse que não acredita em um colapso no atendimento a gestantes no município. A Santa Casa atende ainda uma região composta por 28 cidades, onde vivem cerca de 300 mil pessoas. ''Acho que as prefeituras da região também poderiam ajudar, já que utilizam o serviço da Santa Casa, que é considerado um hospital regional.''
Em comunicado oficial, a Secretaria de Estado da Saúde afirmou que não considera a maternidade fechada. ''Em momento algum (ela) suspendeu as atividades. O que houve foi um ofício encaminhado pela direção da Santa Casa à 14 Regional de Saúde, alertando sobre a falta de profissionais'', diz o texto. A secretaria não comenta a promessa de novos investimentos mencionada pelo diretor do hospital. Segundo o comunicado, o teto financeiro da instituição subiu de R$ 210 mil para R$ 230 mil neste ano.

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