Santa Casa de Londrina desativa maternidade
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quinta-feira, 30 de agosto de 2001
Lúcio Flávio Moura<BR>De Londrina 
A Secretaria Municipal de Saúde deve anunciar nas próximas semanas a transferência da maternidade da Santa Casa de Londrina para o Hospital Infantil (HI), localizado na Rua Pernambuco, área central. ''É o local ideal por já ser referência em UTI neonatal e por atender melhor os casos de gravidez de alto risco'', comentou o secretário de Saúde Sílvio Fernandes da Silva.
A Folha apurou que a decisão foi tomada após um longo período de negociação entre a Prefeitura (que mantém gestão plena nos recursos públicos da área de saúde) e a Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal), mantenedora das duas unidades. Em uma reunião realizada esta semana houve a definição pela transferência.
A direção da Santa Casa preferiu não comentar o assunto. A assessoria de imprensa informou que ontem, ainda não havia definição do que seria feito com a ala onde funcionava a antiga maternidade do hospital. A Secretaria de Saúde adiantou que a ala deve ser incorporada ao pronto-socorro e os leitos serão usados para atendimento de emergência.
A maternidade da Santa Casa é a mais antiga de Londrina, funciona desde 1944 e estava fechada desde novembro em decorrência de uma ampla reforma por que passa o prédio. A remodelação inclui ampliação do pronto-socorro, aumento no número de leitos de terapia intensiva e criação de um centro de emergência e trauma. As obras foram orçadas em R$ 811 mil e devem estar prontas até o final do ano.
Quando estava em operação, a maternidade realizava em média 84 partos por mês e dispunha de oito leitos. Neste período, a demanda da unidade foi absorvida pelos outras três maternidades da cidade a Municipal (a maior delas, com média mensal de 300 partos), a do Hospital Universitário e do Hospital Evangélico.
A transferência estaria relacionada à adesão do Município ao Programa Nacional de Humanização do Pré-Natal e Parto, que busca reduzir a mortalidade infantil e materna no País e incentiva a instalação de unidades especializadas em atender gravidez de alto risco.
De acordo com a clínica-geral Rosângela Libaroni, assessora da Secretaria Municipal de Saúde, a adequação do Hospital Infantil para fazer partos de alto risco é uma operação simples e envolve apenas a adaptação de duas enfermarias que já existem na unidade.
Com a transferência, Londrina passaria a ter 17 leitos especializados em gravidez de alto risco. Hoje, são 14 leitos, número mínimo exigido para a cidade pelo programa federal.
A meta da secretaria de Saúde é baixar a mortalidade infantil para um patamar inferior a 1% dos nascimentos. Hoje em cada mil nascidos vivos, morrem 14 crianças. Este ano, a meta é baixar este número para 11 por mil.


