Ney de SouzaDéficitPronto-Socorro fechado: ‘‘Estamos pagando para atender pelo SUS’’, diz o diretor ZenoniA Santa Casa Monselhor Guilherme, o principal hospital de Foz do Iguaçu no atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), anunciou ontem seu descredenciamento do convênio. Se a ameaça se concretizar, o atendimento de pacientes pelo sistema no hospital será suspenso dentro de 60 dias.
Segundo Décio Zenoni, diretor-superintendente, os valores que o governo paga pelos serviços médicos estão defasados e inviabilizam o atendimento.
‘‘Estamos pagando para atender pelo SUS’’, afirmou Zenoni. ‘‘Enquanto a Associação Médica Brasiliera estabelece em R$ 25 o preço de uma consulta médica, o SUS nos paga 10% disso.’’
De acordo com o diretor-superintendente, a Santa Casa acumula um déficit mensal de aproximadamente R$ 150 mil. Segundo ele, o hospital arrecada mensalmente R$ 200 mil, enquanto os gastos somam cerca de R$ 350 mil.
Relatório divulgado ontem pela irmandade que administra a Santa Casa informa que o prejuízo acumulado pela instituição nos últimos anos com o convênio do SUS é de R$ 2,4 milhões. ‘‘Essa defasagem está sendo mantida muitas vezes com o dinheiro dos próprios membros da diretoria’’, disse Zenoni.
Atualmente, 75 dos 120 leitos da Santa Casa são reservados para pacientes do SUS. Em março, foram atendidos pelo sistema 1.557 doentes. Esse número, de acordo com o relatório da direção, representa cerca de 80% do atendimento na instituição.
Zenoni anunciou que, se o convênio com o SUS for realmente suspenso, o hospital tentará ‘‘a todo custo’’ manter o atendimento gratuito. Segundo ele, no entanto, esse contingente ficará restrito a apenas 20% dos leitos.
Negociação Na opinião de Alceu Bisetto Júnior, diretor regional da Secretaria Estadual da Saúde, a possível suspensão do atendimento pela Santa Casa pode representar o caos no setor em Foz. ‘‘É o único hospital da região a atender pacientes de hemodiálise’’, exemplificou.
Bisetto Júnior disse concordar que a tabela de pagamento do SUS está defasada e defendeu que a solução para a crise no hospital é a negociação entre a direção da Santa Casa, o governo estadual e a prefeitura.
O secretário municipal de Saúde, Sadi Buzanelo, diz que todas as dívidas da prefeitura com o hospital (que somavam mais de R$ 500 mil) já foram pagas. O secretário anunciou que o governo do Estado deverá liberar R$ 160 mil em parcela única e a prefeitura prevê repasse de cerca de R$ 100 mil mensais para o hospital.

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