Santa Casa constrói câmaras hiperbáricas
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quarta-feira, 23 de julho de 2008
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
A morte do estudante Pedro Henrique Lopes Bittencourt, 13 anos, por suposto envenenamento com monóxido de carbono, anteontem, poderia ser evitada com socorro rápido e tratamento adequado. Uma das principais terapias indicadas nesses casos é o uso da câmara hiperbárica, equipamento que combina oxigênio e pressão elevada. Hoje Londrina não conta com este tipo de serviço, mas esta realidade vai mudar dentro de 90 dias.
A Santa Casa anunciou ontem o início das obras para instalação de duas câmaras hiperbáricas. Os equipamentos serão instalados na área do estacionamento da instituição, com entrada pela Rua Espírito Santo.
No início, os equipamentos serão usados para tratamento de pacientes através de convênios. A meta da direção é viabilizar o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Este será o primeiro serviço do tipo no interior do Paraná. ''Assim mantemos a tradição da Santa Casa ser um hospital pioneiro na região'', ressaltou o superintendente da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal) Fahd Haddad.
Uma das principais vantagens da câmara hiperbárica é acelerar o processo de recuperação, tanto de pacientes clínicos quanto de vítimas de acidentes. Assim, a rotatividade é maior e a liberação de leitos, agilizada. O tratamento hiperbárico é indicado para, entre outros casos, envenenamento por monóxido de carbono ou inalação de fumaça, infecções necrotizantes e de osso, queimaduras térmicas e elétricas, úlceras de pele, lesões por radiação ou enxertos de risco. O tratamento é auxiliar, o que significa que não dispensa as terapias tradicionais.
O serviço tornou-se ainda mais necessário desde que a Santa Casa passou a ser o único pronto-socorro aberto à demanda espontânea. Isso significa que o número de pacientes graves na instituição cresceu e as câmaras hiperbáricas vão proporcionar uma redução entre 30% e 50% no tempo médio de internação.
A instalação está sendo viabilizada através de parceria entre um grupo de médicos e a Iscal. São duas câmaras - uma com capacidade para até 12 pacientes e uma individual. O investimento total é de aproximadamente R$ 1 milhão. O equipamento para um paciente foi fabricado no Rio Grande do Sul e o usado para terapia de vários doentes ao mesmo tempo é importado dos Estados Unidos.
As sessões têm duração média de uma hora e meia e o paciente pode ficar sentado ou na maca. ''A câmara multiplica a pressão em duas ou três vezes e o oxigênio se difunde melhor no organismo, o que auxilia no combate a infecções e ajuda nos processos de cicatrização'', explicou o hiperbarista Wilson Albieri Vieira. Pode, por exemplo, evitar amputações provocadas por complicações do diabetes. O custo atual é de R$ 400,00 por sessão particular. Em média, são indicadas de dez a 20 sessões por paciente.
Enquanto as obras avançam, a administração da Iscal vai buscar viabilizar convênios com o poder público para estender o atendimento para o SUS. ''Nesse tempo vamos conversar com as secretarias municipal e estadual, já que não consta na tabela do sistema único'', ressalta Haddad.
As quatro unidades da Iscal - Santa Casa, Mater Dei, Hospital Infantil e Hospital São Rafael, em Rolândia - contam hoje com 425 leitos. Sessenta por cento deles são ocupados pelo Sistema Único de Saúde.


