Campo Mourão - A Santa Casa de Campo Mourão pode suspender o atendimento a pacientes de cidades vizinhas a partir de março. A ameaça é do presidente da instituição, Dilmar Daleffe, e a medida vai ser adotada se as prefeituras não repassarem até o final deste mês uma ajuda financeira prometida ao hospital. ''Vamos esperar até o dia 28. Se os recursos não chegarem, iremos radicalizar'', avisou Daleffe.
No final do ano passado, os municípios aprovaram um acordo com o Ministério Público para repassar R$ 1,00 por habitante à Santa Casa, em três parcelas a partir de fevereiro. Até ontem, nenhuma prefeitura havia feito o pagamento. A Santa Casa espera arrecadar R$ 300 mil até abril com os prepasses dos municípios. O dinheiro já tem destino certo: pagar dívidas. O hospital tem débitos vencidos de R$ 210 mil. Parte é devido à mudança para a nova sede, com 130 leitos, e o resto vem se acumulando desde que a Santa Casa implantou uma maternidade.
O presidente da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam) na época do acordo, Valdinéi Pelói (PSDB), disse que a instituição deve procurar cidade por cidade e cobrar o repasse. ''A parte política, que era reunir os prefeitos e aprovar a ajuda, nós fizemos'', explicou. ''Se a Santa Casa não for atrás, não vai receber''.
Pelói disse que o seu município - Rancho Alegre do Oeste - vai honrar o compromisso, apesar de não usar a Santa Casa de Campo Mourão. ''Acho que R$ 1,00 (por habitante) em três parcelas é pouco e uma hora a gente pode precisar do hospital'', explicou. Com 3,2 mil habitantes, Rancho Alegre tem a menor população da região.
As dívidas da Santa Casa poderiam ser reduzidas pela metade se o governo do Estado tivesse cumprido o ano passado a promessa do repasses de dois recursos. São R$ 80 mil prometidos para a compra do enxoval do novo hospital e R$ 33 mil da terceira e última parcela de um convênio para aquisição de equipamentos.
''Contraímos dívidas na expectativa de receber esses recursos'', explica Dilmar Daleffe. Com a campanha os ''Amigos da Santa Casa'', a direção espera conseguir dinheiro para contratar médicos e implantar as UTIs adulto e neonatal. Os equipamentos já estão comprados.

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