Silvana Leão
O pronto-socorro da Santa Casa de Londrina continua parcialmente fechado. Somente casos que apresentam riscos de vida estão sendo atendidos pelo hospital, que tomou esta providência na terça-feira, quando a superlotação obrigou ao atendimento em macas e cadeiras espalhadas pelos corredores. Foram atendidos 52 pacientes, quando a capacidade do PS é de 18 vagas.
Todos os pacientes, com exceção daqueles encaminhados pelo Siate e Transporte Emergencial Centralizado (TEC), passam por uma triagem na recepção do PS. Os casos que exigem apenas atendimento ambulatorial são encaminhados para as unidades básicas de saúde. O chefe do PS, Sérgio Canavese, afirmou que daqui para a frente esta será a postura do hospital em relação ao SUS, assumindo o que, segundo o médico, é o papel dos hospitais de nível terciário.
‘‘A tendência é buscar este tipo de modelo assistencial, tornando-se referência para o SUS apenas nos casos mais complexos.’’ Ele explicou que levantamento feito na instituição mostrou que os atendimentos ambulatoriais têm representado, em média, 70% da demanda dos serviços do PS.
A diminuição no número de pacientes no pronto-socorro - ontem de manhã havia 25 internados - foi provocada, segundo Canavese, pela readequação dentro do próprio hospital. ‘‘Não conseguimos encaminhar nenhum caso para outro hospital. Estão todos lotados.’’
No Hospital da Zona Norte (HZN), a situação já havia se normalizado ontem de manhã. Das 12 vagas existentes no PS, só oito estavam ocupadas. Na terça-feira à noite, porém, o hospital foi obrigado a suspender o atendimento em função da superlotação.
No Hospital da Zona Sul (HZS), apenas seis das 12 vagas do PS ocupadas. O diretor-clínico, Sidney Girotto, informou, porém que uma paciente com hemorragia estava desde anteontem à espera de transferência para um hospital terciário. A superlotação e de falta de estrutura do HZS acabou resultando na morte de duas pessoas, uma ocorrida na última quinta-feira e a outra na terça-feira.
Já o PS do Hospital Universitário (HU), embora continue atendendo, estava com 25 pacientes acima do limite, que é de 36 vagas. O diretor-clínico Sylvio Villari Filho disse que a situação mais grave era nos PSs médico e ortopédico, onde boxes destinados a consultas eram usados para internação.
A chefe da 17ª Regional de Saúde, Djamedes Garrido, destacou que a gerência do sistema de saúde é de responsabilidade do município. ‘‘O Estado é coadjuvante, apenas participa’’, disse. Conforme Djamedes, a RS está tentando um contato com o secretário municipal Agajan Der Bedrossian para definir as medidas para amenizar a superlotação nos hospitais. ‘‘Estamos mantendo contato com a central de leitos para agilizar as transferências graves’’. O secretário Agajan não foi localizado, nem retornou as ligações.
Entre os pacientes internados em macas nos corredores da Santa Casa, ontem, estava o serralheiro Marcos Rogério Costa, que sofreu acidente no trânsito e teve fraturas expostas na perna e no braço direitos. ‘‘O movimento de pessoas é muito grande aqui. Quando a gente está sentindo muita dor, isso incomoda’’, disse.

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