Lucilia Okamura
De Londrina
A Comissão de Ética da Santa Casa de Londrina irá investigar o caso da gestante Eurides Vieira dos Santos Pereira, 27 anos. Familiares dela acusam um médico do hospital de negligência – no sábado, ele teria liberado a paciente mesmo se queixando de dores. O filho dela acabou nascendo na Maternidade Municipal, onde morreu pouco depois.
Segundo a cunhada da paciente, Luciana Silvia Madeira, 23 anos, Eurides Pereira chegou à Santa Casa por volta das 14h30, mas foi atendida somente no início da noite. Ela afirmou ainda que Luciana Madeira se queixava de muitas dores, mesmo assim foi liberada pelo médico Daniel dos Santos.
Sem dinheiro para pagar uma condução, Luciana Madeira levou a cunhada para a maternidade a pé. ‘‘Levamos meia hora para chegar lᒒ, contou. A gestante foi submetida a uma cesariana, mas o filho Eliel Francisco da Silva morreu em seguida.
O diretor-clínico da Santa Casa, Milton Ogawa, informou que a apuração do caso ficará por conta da Comissão de Ética, formado por seis médicos. ‘‘A comissão irá realizar o levantamento do prontuário, ouvir as pessoas que cuidaram do atendimento da paciente (enfermeiras e o médico) e, se julgar necessário, conversar com ela’’, contou.
Milton Ogawa informou que não existe prazo para a conclusão do trabalho da comissão. Ele disse que o médico Daniel dos Santos continuará atendendo normalmente. ‘‘Se afastássemos, estaríamos prejulgando’’, afirmou.
O médico Daniel dos Santos informou, através da assessoria de imprensa, que irá se pronunciar sobre o caso nos próximos dias. Segundo a assessoria, a ficha da paciente no pronto-socorro informa que a paciente chegou no hospital às 16h21m. Às 17 horas ela teria passado pela avaliação da enfermagem, que é rotineira, e atendida pelo médico às 18h20.
Ainda de acordo com a ficha, o médico teria liberado por constatar que ela estava bem e não estava em trabalho de parto. A assessoria de imprensa negou que uma enfermeira teria aconselhado Luciana Madeira a levar a cunhada rapidamente para a maternidade. Segundo a assessoria, a enfermeira teria dito que ela poderia procurar outro hospital se estivesse duvidando da avaliação da Santa Casa.
O diretor da Maternidade Municipal, Ari Parreira, informou que Eurides Pereira deu entrada às 20 horas, se queixando de dores. O médico, segundo ele, constatou que estava em trabalho de parto inicial e que havia sinais de sofrimento fetal agudo ‘‘há algum tempo’’. ‘‘Ele indicou cesariana de urgência e a criança nasceu bastante debilitada em decorrência do sofrimento fetal’’, explicou. Entre os sinais de sofrimento apresentados pelo bebê estavam, segundo Parreira, frequência cardíaca baixa e presença de mecônio (fezes). ‘‘A criança foi entubada ainda no centro cirúrgico, mas não conseguiu se recuperar, indo a óbito às 23h39m’’, informou. Eurides Pereira continua internada na maternidade. Segundo o diretor, ela já havia se submetido a três cesarianas.Comissão de Ética investigará caso da gestante submetida a cesariana na Maternidade Municipal, logo depois de ter sido dispensada pela Santa Casa
Paulo WolfgangJosuel da Silva, pai do bebê Eliel, e a tia Luciana Madeira: ‘Ele disse que era médico e entendia do assunto’’

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