Santa Casa anuncia redução de atendimentos
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quarta-feira, 14 de maio de 2003
Alexandre Palmar<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu A Santa Monsenhor Guilherme, principal hospital de Foz do Iguaçu, vai restringir atendimentos médicos por causa da constante superlotação dos seus leitos e pronto-socorro. A medida afetará pacientes que buscam o Sistema Única de Saúde (SUS), em especial consultas.
A decisão foi anunciada pelo superintendente do hospital, Márcio de Matteis Pinto. Segundo ele, a unidade tem registrado aumentos sucessivos de demanda desde junho do ano passado. ''Estamos operando acima da capacidade.''
De janeiro a abril, a unidade de urgência e emergência socorreu 41,8 mil pessoas. A unidade recebe em média 400 pessoas por dia, sendo que apenas 100 são de emergência. O objetivo é, de forma gradativa, reduzir assistências não emergenciais.
Outra causa da superlotação é a origem dos pacientes. Do total, 25% são estrangeiros (maioria brasiguaios, brasileiros residentes no Paraguai) e 18% moradores de outros municípios.
Conforme o diretor financeiro, Nei José de Macedo Lemos, o impasse causa um déficit mensal de R$ 130 mil. Somente no ano passado o déficit teria sido de R$ 1 milhão, segundo ele. O rombo deve ser amenizado com uma verba mensal de R$ 50 mil prometida pelo governo do Estado.
''A Santa Casa é um hospital privado que atende em 95% o SUS'', explica Matteis. Para ele, seria possível desafogar a lotação se a comunidade procurasse o pronto-socorro do Costa Cavalcanti, ''hospital público com número de atendimentos do SUS baixíssimo''.
Inaugurado em abril, o PS do Costa Cavalcanti possui oito leitos, que recebem cerca 20 pessoas por dia. O número pode aumentar com a entrega de novos leitos. No geral, dos 115 leitos do hospital, 47 são destinados aos SUS.
A medida levou a Câmara de Vereadores a criar uma comissão especial para buscar uma solução em parceria com prefeitura e hospitais. Já a administração garantiu que dois núcleos de saúde funcionarão 24 horas por dia a partir de junho.


