Rolândia - A Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal), mantenedora do Hospital São Rafael, em Rolândia (Norte), anunciou o encerramento das atividades da instituição dentro de 60 dias. De acordo com o superintendente da Iscal, Fahad Haddad, a decisão foi tomada pela mesa administrativa na última sexta-feira e o assunto está sendo discutido desde outubro do ano passado. Ele disse que, apesar do anúncio, esta decisão é reversível. ''Se surgir algum fato novo vamos analisar'', disse.
Segundo o superintendente, o atual governo do Estado afirmou que não tem como objetivo transformar o São Rafael num hospital regional. Segundo ele, esta situação, aliada à falta de recursos do município, foi fundamental na decisão tomada pelo grupo. ''Este hospital é responsável por 43% das despesas da Irmandade. Temos uma dívida de R$ 7 milhões e um déficit mensal no caixa de R$ 200 mil'', explicou. De acordo com ele, o município alega falta de recursos para repassar ao hospital.
Haddad disse que antes de decidir fechar, a Iscal sugeriu que a Associação Beneficente São Rafael (antiga mantenedora) reassumisse a direção, no entanto, não houve interesse. ''Mais de 80% dos nossos atendimentos são de pacientes do SUS e o valor repassado não é suficiente para arcar com os custos. A irmandade não pode ser a única responsável pels saúde na cidade'', disse.
O centro cirúrgico do hospital está em construção e deste março de 2010 conta com a estrutura física para a instalação de dez leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). ''Recebemos os equipamentos de UTI em comodado do Estado, mas eles não enviaram verbas para colocarmos a ala em funcionamento'', justificou o gerente operacional do hospital, Durval Kuwano. O centro cirúrgico e a UTI foram construídos com um recurso enviado pela Fundação Martin Hilti, da Alemanha, que doou US$ 1.125 milhão.
Com a notícia do fechamento os pacientes ficaram apreensivos. ''Levei um susto. Como pode uma cidade com a importância e a população de Rolândia (57 mil habitantes) ficar sem hospital? O que vai acontecer com as pessoas doentes que não têm recursos para procurar outro hospital?'', questionou a professora aposentada, Eunice Cattai. A preocupação também é grande para Célia Regina Carvalho, que acompanhava a filha no Pronto Socorro. ''Minha filha é especial, quando eu precisar de médico para ela vou precisar pegar um ônibus e correr para Arapongas, Apucarana ou Cambé. Não há outra saída.''
Se realmente parar de atender, este será o quarto hospital a passar pela situação em Rolândia. Antes dele já fecharam o Hospital São Lucas, São Paulo, Hospital Alemão e o São Judas, que encerrou as atividades há sete anos.

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