Santa Casa adota robô que ajuda a identificar sepse
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terça-feira, 15 de maio de 2018
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 

A Santa Casa iniciou neta terça-feira (15) o atendimento de pacientes internados por meio do robô Laura, plataforma de inteligência artificial em gestão de risco. A instituição é a primeira do Norte do Paraná a contar com a tecnologia, que faz uma análise para medir o grau de cada paciente internado no hospital sobre a sepse, doença que surge quando germes invadem a corrente sanguínea e provocam uma intensa resposta inflamatória por todo o organismo. No dia 15 de maio é celebrado o Dia Nacional de Controle de Infecção Hospitalar.
De acordo com o Ilas (Instituto Latino Americano de Sepse), a sepse é responsável por 25% de ocupação em leitos em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) no Brasil. A taxa de mortalidade de pessoas com a infeção chega a 65% dos casos. "O que a Laura faz é ler de forma rápida aquilo que os profissionais precisam ler, mas não têm a mesma rapidez. Ela sintetiza essas informações por meio de um alerta, mostrando, de todos os pacientes, aqueles que precisam de atenção, dizendo o leito e hora que começou a criticidade" explica Jacson Fressato, criador da inteligência.
Ele aponta que o robô é cognitivo e que indica o perigo, como por exemplo, o aumento de temperatura, para a equipe do hospital possa agir. A ferramenta monitora simultaneamente todos os dados de todos os pacientes a cada 3.8 segundos, cruzando informações. "O robô consegue ver grandes textos e imagens em milésimos de segundos justamente por ser um recuro matemático", pontua. A plataforma é conectada à base de dados do hospital.
Na Santa Casa, a taxa de infecção é de 1,74%, com índice de mortalidade que varia de 23% a 48% dependendo do setor. "Não é o número de infecções que queremos diminuir, pois o nosso já está bem abaixo dos gerais. O que queremos é detectar esta infecção numa fase precoce, em que a mortalidade, se agirmos, vai ser muito menor. O importante do robô é detectar o sinal antes que ocorram disfunções de órgãos, como uma infecção generalizada tão grave, que não tem mais o que fazer", destaca Walter Tedesco, médico infectologista e responsável pelo controle de infecções da instituição. "O robô não está somente ligado à infecção hospitalar, mas também o paciente que já veio infectado", acrescenta.
IMPLANTAÇÃO
Quando há indicativo de sepse, o Laura manda alertas por escalonamento de cores conforme a gravidade indo do verde (menor gravidade) ao vermelho (maior gravidade). Os avisos chegam em televisores instalados no setor do paciente. No caso da Santa Casa, elas ficarão nos postos de enfermagem de cada unidade de atendimento. Caso o alerta não seja atendido, o robô envia e-mail ou mensagem de texto para o médico do paciente e outros profissionais.
O projeto piloto desta inteligência artificial no hospital londrinense começou pela unidade três, quando será analisado entre 30 e 60 dias seu funcionamento. "A ideia é colocar isso em todas as unidades da Iscal (Irmandade Santa Casa de Londrina), que são três hospitais. A tecnologia será implantados de forma gradativa e a expectativa é que esteja em funcionamento em toda a irmandade até setembro, dando prioridade às áreas em que pacientes têm mais risco de ter sepse", projeta o superintendente da Iscal, Fahd Haddad.
A irmandade tem uma média mensal de 1.300 internamentos, contando com 334 leitos, sendo 190 somente na Santa Casa. Haddad acredita que o robô trará mais qualidade de vida aos pacientes e vai melhorar o atendimento do hospital. "A Santa Casa sempre foi pioneira, porque é o hospital mais antigo de Londrina. Qualquer hospital geral, como o nosso, que atende casos de trauma e outras gravidades, tem índice de infecção elevado. Apesar de todas as dificuldades, o maior foco é o paciente e todo o esforço é válido. Esperamos que outros hospitais façam o mesmo, pois ajuda a cidade."


