Santa Casa admite mudar maternidade
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segunda-feira, 03 de setembro de 2001
Lúcio Flávio Moura<BR>De Londrina 
O diretor técnico da Santa Casa de Londrina, Sérgio Canavese, admitiu ontem ao Ministério Público (MP) que a ala em reformas onde funcionava a maternidade do hospital a mais antiga da cidade, com 56 anos de operação passará a abrigar leitos do SUS para atendimento de emergência, principalmente politraumatizados.
Foi a primeira vez que um membro da direção da irmandade assumiu que partos e internações de gestantes serão transferidos para o Hospital Infantil, mantido pela mesma instituição filantrópica, ainda assim apenas os casos considerados de alto risco para a mãe ou para a criança.
Segundo relato de Canavese ao promotor de Direito Constitucional, Paulo César Tavares, o Hospital Infantil, já dotado de UTI neo-natal, deve sofrer algumas adequações e disponibilizar três leitos para este tipo de atendimento.
Canavese justificou a decisão ao MP alegando que os recursos para a reforma, cerca de R$ 800 mil obtidos junto a Caixa Econômica Federal, não eram destinados exclusivamente a leitos de parturientes ou gestantes, como sustentou o advogado dos obstetras do hospital, Otávio Paulo Genta, e sim para atendimento geral do SUS.
A Secretaria Municipal de Saúde, gestora plena na do município, vem informando que a cidade tem demanda suprida para partos de baixo risco há quase um ano o sistema vem absorvendo sem problemas os 400 partos mensais. A prioridade é aumentar a capacidade para atendimentos de emergência.
Outra justificativa para a transferência seria os esforços em reduzir a taxa de mortalidade infantil em julho, Londrina aderiu a um programa federal de humanização para o atendimento de parturientes e recém-nascidos priorizando o atendimento para a gravidez de alto risco.
A Promotoria de Direito Constitucional de Londrina pede hoje ofício da Santa Casa e da Secretaria Municipal de Saúde para explicar a transferência. Se o MP não se convencer da viabilidade da transferência, poderá convocar audiência com representantes do hospital e da secretaria, para esclarecer a questão.
A polêmica da não-reabertura da maternidade da Santa Casa aumentou com a unânime manifestação contrária do corpo de obstetras do hospital na última sexta, que acusa a atual administração de preocupar-se apenas com o volume de recursos repassado pelo SUS, esquecendo a finalidade filantrópica da unidade. Eles entraram com uma petição no MP, pedindo a proibição da transferência, mas segundo o superintendente da Irmandade, Fahd Haddad, nunca se posicionaram formalmente frente a direção. Os obstetras reclamam da falta de representatividade na tomada de decisões e propõe a instalação de uma mesa de discussão para esgotar o assunto.


