Arapongas Com uma dívida de R$ 1,4 milhão, a Santa Casa de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) passa por uma fase de incertezas em 44 anos de serviços prestados à comunidade. Para manter o hospital em atividade, sem prejudicar os setores de atendimento, a nova provedoria teve de decretar uma moratória e suspender o pagamento de dívidas antigas. Desde o mês passado, a política é priorizar o pagamento de fornecedores vitais, sem comprometer, no entanto, o orçamento mensal. ''Nosso desafio é administrar este déficit e implantar uma política de transparência na prestação de contas. O hospital é da comunidade, e ela merece saber o que acontece aqui dentro. Não vamos gastar mais do que arrecadamos'', ponderou o advogado Élton Luis de Carvalho, novo provedor do hospital para o triênio 2004/2006.
Segundo Carvalho, a Santa Casa tem hoje uma receita mensal de cerca de R$ 250 mil, sendo 90% deste valor repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O restante vem de convênios particulares. Sem condições de ao menos negociar o passivo da dívida mais de 90% com fornecedores de materiais e equipamentos , a nova administração decidiu decretar uma moratória. Carvalho admitiu, porém, que o pagamento de dívidas antigas, que não é prioridade no momento, será reavaliado num futuro bem próximo. ''Com o tempo, teremos que renegociar isso aí. Mas agora estamos dando preferência para o pagamento de materiais essenciais (oxigênio, medicamentos e materiais ambulatoriais), que serão usados dentro no próprio mês'', argumentou.
Com 80 leitos habilitados, o hospital ainda não acusou problemas graves no atendimento de pacientes. Mas a falta de verbas atinge sobretudo a infra-estrutura. ''Nossos quartos não sabem que o que é uma reforma há vários anos. Estamos contando com o apoio de um grupo de amigos para tentar amenizar este problema'', disse. Segundo Carvalho, o grupo é formado por empresários, comerciantes e profissionais liberais, que se sentiram sensibilizados e decidiram ajudar financeiramente. Com os recursos arrecadados na primeira etapa da campanha, cinco quartos já foram reformados. ''São R$ 18 mil por cada quarto, com reforma do piso ao teto. Nossa intenção é reformar mais dois nos próximos meses''.
Outro problema é o deslocamento de equipamentos específicos de um ambiente para outro. Segundo o cirurgião-geral Aristides Makowich, diretor-clínico da Santa Casa, o Centro Cirúrgico e a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) compartilham aparelhos indispensáveis em qualquer procedimento cirúrgico. ''A gente precisa ter jogo de cintura nestas horas, a UTI usa as coisas do centro e vice-versa. Tudo isso é consequência da falta de verba'', afirmou o médico. A Santa Casa espera entregar um novo Centro Cirúrgico até o final do ano. Com recursos do governo federal, serão cinco salas e novos equipamentos. ''Faltam ainda alguns aparelhos que esperamos conseguir o mais breve possível'', disse o provedor.

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