Sanitaristas exigem política ambiental


Antônio França
Foz do Iguaçu
Antônio França Foz do Iguaçu

Ney de SouzaFeirasA Fitabes e a Infoabes’97 acontecem paralelamente ao Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e AmbientalSanitaristas e ambientalistas lançaram ontem, durante o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, em Foz do Iguaçu, a Frente Nacional Ambiental. O movimento pretende conquistar a simpatia de políticos e entidades ambientais para reverter o quadro de saneamento básico no País. Atualmente, cerca de 50 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável e consomem água sem nenhum controle. O esgoto tratado não chega a 10% da total coletado.
A frente criada pelos 2.500 sanitaristas que participam do evento pretende elaborar propostas que deverão ser defendidas no Congresso Nacional para a elaboração de uma política de saneamento ambiental. ‘‘O principal alvo desta política são os chamados bolsões de miséria, que não têm acesso ao saneamento’’, defende o presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Clóvis Francisco do Nascimento Filho.
Segundo a Abes, dos 160 milhões de brasileiros, apenas 110 milhões recebem água tratada. Ainda assim, 100 milhões não têm acesso à coleta de esgoto, e o tratamento não chega a 10%. ‘‘Estamos vivendo um novo tempo e é preciso inverter a mentalidade dos políticos que acreditam que saneamento básico não dá voto’’, diz o presidente da Abes.
Somente as companhias de saneamento básico dos Estados investem cerca de R$ 5,1 milhões por ano em novas tecnologias, obras e manutenção. Para os sanistaristas, serão necessários investimentos de US$ 42 bilhões para suprir o atual deficit de investimentos no setor. Com aplicação desses recursos, 100% da população brasileira teria acesso à água potável, coleta de esgoto e tratamento de resíduos. O investimento também acompanharia o crescimento populacional em 15 anos.
Privatização Os sanistaristas aproveitaram o encontro para criticar a atual onda de privatização do governo e defender que o setor continue nas mãos do poder público. ‘‘Daqui a pouco, esse modismo chega no setor de saneamento básico e isso é perigoso’’, alertou o presidente da Abes. Nascimento Filho disse que as parcerias com a iniciativa privada são bem vindas, ‘‘mas devem ser feitas pelas portas da frente’’.
O argumento principal contra a privatização é que os investidores deverão escolher regiões onde o saneamento básico dá lucro e esquecerão lugares pobres, que demandam maiores investimento e, consequentemente, lucros menores.


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