Sangue pode ter disseminado hepatite
Especial para a Folha
Plaquetas e hemáceas (partes sólidas do sangue) de 1.979 bolsas usadas em transfusões no Paraná entre 1996 e 1997 podem ter disseminado o vírus da hepatite B e C em pacientes de vários municípios. A denúncia foi apresentada ontem pela direção da Vigilância Sanitária (VS) de Pernambuco. Uma investigação da VS constatou fortes indícios de que pelo menos um lote de plasma (parte líquida do sangue) enviado pela Secretaria de Saúde do Paraná em novembro de 1996 para o Hemocentro de Pernambuco estaria contaminado.
As plaquetas e hemáceas deste lote de plasma ficaram no Paraná. Como os derivados têm prazo de validade de cinco anos, parte deles ainda pode estar estocado no Estado. A reportagem da Folha procurou o Secretário da Saúde, Armando Raggio, ontem, para saber que providências estão sendo tomadas no Paraná a este respeito, mas não conseguiu entrar em contato com ele.
O lote de plasma paranaense enviado ao hemocentro pernambucano era formado por bolsas de sangue coletadas nos municípios de Curitiba, Guarapuava e Campo Mourão. Segundo informações do diretor da Vigilância Sanitária de Pernambuco, Jaime Brito, a Secretaria de Saúde do Paraná estaria fazendo o rastreamento das bolsas que podem estar contaminadas. Este trabalho vai confirmar se o sangue estava mesmo infectado pelo vírus da hepatite ou se houve erro no reteste feito em Pernambuco. Além do Paraná, outros Estados enviaram lotes de plasma contaminados para o Hemocentro de Pernambuco e o rastreamento deles confirmou as suspeitas de contaminação. Na Bahia, foram encontradas 31 bolsas de plaquetas infectadas pelo vírus da hepatite e HIV. Em Pernambuco, havia outras oito bolsas contaminadas.
A infecção foi constatada pelo Hemocentro de Pernambuco em dezembro de 1998 através de um reteste. Há uma possibilidade do resultado estar errado, com um falso positivo ou erro nas análises, por isso está sendo feita a identificação das bolsas e o rastreamento nos estados de origem do derivado de sangue, disse Jaime Brito. De qualquer forma, em pelo menos um teste feito no Hemocentro de Pernambuco houve reagente positivo para Hepatite B e C no lote que veio do Paraná, garantiu.
O Hemocentro de Pernambuco também cometeu falhas no processo. O órgão não informou às Secretarais de Saúde dos estados de origem sobre a possibilidade de infecção dos derivados. No dia 13 de maio deste ano o ministro da Saúde, José Serra, determinou a abertura de investigação para apurar responsabilidades. A investigação da VS, concluída na última quinta-feira, identificou a origem do plasma que pode estar contaminado.As bolsas infectadas foram colhidas em Curitiba, Guarapuava ou Camp o Mourão. Os derivaos, contudo, podem ter sido usados em todo Paraná
Novos testesOs derivados que ficaram no Paraná, dos mesmos doares que foram para Pernambuco, estão sendo reexaminados





