Até ontem à tarde a dona-de-casa Maria Aparecida da Silva não sabia que toda vez que a descarga do banheiro era acionada ela contribuia para poluir ainda mais o Córrego Água da Pedras, no Jardim Pindorama (Zona Leste de Londrina). Uma vistoria realizada pela Sanepar na residência descobriu o problema e ela terá 60 dias para regularizar a situação. O mesmo trabalho será feito pela empresa de saneamento básico em outras 60 mil ligações em Londrina e Cambé.
Dona Maria disse que se mudou para a casa há cerca de oito anos. O imóvel pertencia à mãe, que se mudou para o bairro em 1971, e a família desconhecia o problema. Com os corantes jogados em pontos específicos da casa, os técnicos constataram que a ligação do banheiro estava irregular e que a água do esgoto está indo parar direto no pequeno córrego que passa no bairro. ''Não sabia que estava ligado errado'', justificou. Ela garantiu que vai regularizar a situação mas reclamou que o ''prazo dado é muito pequeno''. ''Só com encanamento vou gastar uns R$ 70,00 e ainda vai ter a mão-de-obra do pedreiro'', apontou.
A Sanepar estima que a situação encontrada na casa de dona Maria se repita em pelo menos mais 9,4 mil ligações entre as 60 mil que serão vistorias em Londrina (50 mil) e Cambé (10 mil). O gerente metropolitano da empresa, Sérgio Bahls, informou que o trabalho de vistoria deve durar 12 meses e será feito por uma empresa terceirizada. Inicialmente serão vistoriadas as 4,7 mil ligações com irregularidades detectadas no ano passado. Caso o problema não tenha sido resolvido, vai ser concedido novamente o prazo de 60 dias. Se a situação persistir, a Sanepar poderá aplicar multas e relatar o caso à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente. A ação é parte de uma iniciativa conjunta entre Sanepar, Instituo Ambiental do Paraná (IAP), secretarias municipal e estadual do Meio Ambiente, Vigilância Sanitária e Conselho Municipal do meio ambiente.
As irregularidades mais frequentes encontradas são ligações de escoamento de água da chuva na rede de esgoto ou o contrário, ligações de esgoto doméstico na rede de escoamento pluvial. O resultado disso são os transbordamentos nos pontos mais baixos e mais danos ambientais. Segundo Bahls, a Sanepar tem um gasto mensal de R$ 100 mil apenas com o trabalho de manutenção preventiva.
Para Bahls, as pessoas usam incorretamente a rede de esgoto porque ''não têm noção do mal que estão provocando ao meio ambiente''. ''É um problema cultural'', completou. Por isso, além de fazer a vistoria, a Sanepar também está entregando folhetos com explicações sobre como fazer corretamente a ligação do esgoto na rede e sobre o uso correto da rede de esgoto, com exemplos do que pode e do que não pode ser jogado no esgoto sanitário.

mockup