Sanepar promove uso do esgoto
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terça-feira, 29 de abril de 1997
Sid Sauer Correspondente 
Sid SauerAdesãoAmélia, uma das beneficiadas, responde à consulta da Sanepar: Pelo conforto, não é caroCAMPO MOURÃO - Depois de ampliar a rede de esgoto de 7% para 35% dos domicílios de Campo Mourão, o Escritório Regional da Sanepar começa agora um trabalho diferente: convencer os moradores a utilizar a rede recém-construída. Todos os dias, um funcionário percorre de casa em casa os bairros que receberam a melhoria em busca de adesões. Ele expõe as vantagens da rede em relação às fossas sépticas e, o mais difícil, tenta convencer que o acréscimo de 80% sobre a tarifa de água, que vem com a ligação do esgoto, tem retorno garantido. Ao mesmo tempo, outros dois funcionários fazem palestras ambientais nas escolas dos bairros beneficiados.
Campo Mourão ficou 20 anos sem investimentos no setor e tem pouca cultura sobre o uso da rede de esgoto, diz o gerente regional da Companhia, Carlos Roberto Pinto. As primeiras obras foram feitas em 1972 e a ampliação só começou em 92.
Desde então foram investidos R$ 5 milhões na construção da rede e de duas estações de tratamento. Desse total, R$ 3,2 milhões saíram da própria Sanepar e outros R$ 1,8 milhão vieram do governo federal, através do Programa de Ação Social em Saneamento (Prosege). Mesmo assim, pouco mais de 6 mil das 19 mil casas da cidade ficaram aptas à rede. As duas estações, porém, já poderiam atender 100% do perímetro urbano.
Parece pouco, mas Campo Mourão tem atualmente apenas 1.600 ligações à rede de esgoto. Há quatro anos, nem uma campanha que fornecia a ligação gratuita à rede conseguiu atrair mais adeptos no centro da cidade, um dos poucos lugares onde havia rede disponível.
Agora, a ligação custa R$ 121,93, mas pode cair para R$ 18,28 se o dono da casa fornecer a mão-de-obra. Além disso, o pagamento pode ser parcelado em 12 meses sem juros ou em até 36 pagamentos reajustáveis.
Não é a ligação, no entanto, que assusta mais. O problema são os 80% sobre a tarifa mensal de água. É um investimento que a pessoa vai fazer na saúde, ressalta Pinto. O que ela vai gastar a mais com o esgoto será economizado com o tratamento de doenças, completa.
Pelo menos por enquanto, os resultados têm sido animadores. No Conjunto Parigot de Souza, o primeiro a ser visitado, a adesão está passando dos 70%, que é o mínimo esperado pela Companhia.
Na realidade, o Código Sanitário obriga a utilização da rede de esgoto em áreas onde ela existe. Por isso mesmo, depois de visitar os bairros que receberam a rede, a Sanepar vai passar o caso para Vigilância Sanitária, que tem poder de autuar os não-usuários.
A servidora municipal Amélia Aparecida Siqueira da Silva foi visitada ontem e já prometeu substituir as duas fossas que tem em casa pela rede. Pelo conforto que traz, não acho que seja caro, diz.


