Sanepar polui ribeirão em Rolândia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de agosto de 2001
Lúcio Flávio Moura<BR>De Londrina 
Ambientalistas e vereadores de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) estão denunciando a Sanepar por crime ambiental. A empresa de saneamento estaria despejando esgoto sem tratamento no Ribeirão Vermelho, afluente do Rio Paranapanema. A poluição estaria sendo sentida em vários municípios banhados pelo rio.
Segundo o vereador Paulo Augusto Farina (PDT), membro da ONG Associação Ecológica de Rolândia (AER), pescadores de Bela Vista do Paraíso e Alvorada do Sul estão reclamando da queda do número de peixes nos últimos meses. Moradores da região da estação também criticam o mau cheiro e a proliferação de insetos, principalmente borrachudos.
O Ministério Público e a Câmara Municipal já enviaram ofícios solicitando fiscalização por parte do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que concedeu a licença prévia para a instalação e operação da Estação de Tratamento de Esgoto Vermelho há dois anos. De acordo com o IAP, equipes do órgão estarão analisando a água do ribeirão nos trechos anterior e posterior ao ponto de despejo do esgoto. A Sanepar garante que vem fiscalizando a qualidade da água e que o Índice de Qualidade de Esgoto estabelecido pelo IAP é respeitado.
A polêmica começou há um ano, quando a AER denunciou a falta de uma piscina de decantação e de duas fossas de concreto previstas no projeto e que ainda não estava em funcionamento, apesar de já haver a captação do esgoto pela estação. A denúncia também lembrava a falta de um reator (equipamento que separa o esgoto sólido do líquido) na estação, previsto no projeto. Outra solicitação dos ambientalistas era a adição de produtos químicos para eliminar os excessos de coliforme fecais, gordura e espuma. Das solicitações, apenas a instalação do segundo reator foi atendida.
A Câmara aprovou requerimento pedindo a retomada imediata das obras de adequação ambiental. No entanto, um acordo firmado entre diretores da Sanepar e do IAP estabeleceu um prazo de três anos para instalação de todos os equipamentos previstos pela legislação ambiental.
Há um ano uma audiência entre o Ministério Público, Sanepar e IAP ratificou o acordo, prevendo que a entrega das obras pode ser feita até o final do segundo trimestre do próximo ano. ''Mas o IAP não pode avalizar um acordo que transforma um rio em esgoto'', questionou o vereador Paulo Farina.


