Até março do ano que vem, a Sanepar não irá cortar água de usuários inadimplentes de Cambé (13 km a oeste de Londrina) que estejam desempregados. O compromisso foi assumido ontem pelo gerente metropolitano, Paulo Kishima, durante audiência pública realizada pela Câmara de Vereadores que discutiu as tarifas de água e esgoto cobradas pela empresa.

A Sanepar, entretanto, não apresentou respostas às sugestões dos usuários de aumentar a quantidade de água correpondente à tarifa mínima de 10 metros cúbicos para 15 metros cúbicos, além de alterar as exigências da empresa para a adesão à tarifa social. Kishima justificou dizendo que a empresa não concluiu os estudos sobre as propostas apresentadas.

As respostas deverão ser apresentadas na próxima audiência, marcada para 5 de março. Nesta data, a Câmara, como informou o presidente, o vereador Carlos Roberto Rasteiro, deverá empossar uma associação de usuários, que terá a função de representar e defender os moradores junto à empresa.

Na reunião de ontem os vereadores trouxeram o economista Cid Cordeiro, que é técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de Curitiba. Ele disse que, segundo estudos do órgão, a Sanepar utilizou uma referência errada para o cálculo de aumento na tarifa de água em 1994. O erro, segundo ele, ocorreu porque naquele ano houve dois índices de inflação, um anterior e outro posterior à mudança da moeda. A empresa utilizou um índice de inflação anterior à mudança da moeda, de 40%. Com a nova moeda, a inflação do ano foi de 4,33%. Nos últimos anos a inflação calculada pela empresa é de 219%, quando ele deveria ser de 137%.

Cordeiro destacou ainda que no ano passado a Sanepar teve um lucro de 130% em relação a 1999. Uma parcela desse lucro, de acordo com o economista, deveria ter sido repassada ao usuário, já que a maior parte das ações da empresa pertence ao Estado.

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