Sanepar não monitora água do Iraí
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quarta-feira, 29 de abril de 1998
Israel Reinstein 
Uma auditoria não-governamental, feita pela entidade Mater Natura, aponta que o monitoramento ambiental das obras da Barragem do Iraí, na região Metropolitana de Curitiba, ainda não está sendo executado. Segundo o relatório, a Sanepar deixou de implementar 25 itens do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), que deveriam ser aplicados antes do represamento, previsto para o fim deste ano. Com isso, a qualidade da água pode ser comprometida, prejudicando o abastecimento da Grande Curitiba. Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Sanepar acreditam que ainda há tempo hábil para acertar o que está atrasado.
De acordo com a coordenadora da auditoria, Teresa Urban, as instituições envolvidas no projeto - Sanepar, IAP, Suderhsa, Comec e as prefeituras de Quatro Barras, Piraquara, Pinhais e Colombo - estão atuando de forma separadas. Falta a implantação de um plano de gestão, que una as ações do EIA/Rima, afirma. Sem esses itens, a vida útil da barragem fica comprometida.
Um dos pontos que mais preocupa a ambientalista é a existência de lixões na área de inundação da barragem. Eles ainda estão no local, contaminando o solo. E não há estudo sobre esse impacto, afirma Teresa, que pede um trabalho de educação ambiental com os moradores sobre o problema do lixo. A ambientalista também quer que o IAP reveja a implantação de fábricas na região de Quatro Barras, que poderiam poluir a água.
Câmara - O IAP concorda que houve atraso na implantação do EIA/Rima. Por isso, foi sugerida a criação da Câmara de Apoio Técnico para coordenar sua implementação, diz Themis Piazzetta Marques, chefe do Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental do IAP. A câmara, formada pelas prefeituras e entidades estaduais, deverá ser constituída na próxima semana.
O coordenador da barragem do Iraí, Schermann Cordeiro, afirma que todas as ações da Sanepar já foram feitas. O que está atrasado são medidas que fogem da alçada da empresa, afirma. Ele cita como exemplo o plano diretor de resíduos sólidos (lixos), que deve ser criado pelos municípios de Colombo, Pinhais, Piraquara e Curitiba.
Para Themis, é preciso que as ações sejam implementadas o mais rápido possível. Muitos pontos que deveriam ter sido iniciados pela Sanepar, há seis anos, ficaram para a última hora. Por isso, é preciso que se corra contra o tempo, diz. Para organizar as ações, a câmara vai usar os apontamentos da Mater Natura. O trabalho de preservação ambiental vai ser estendido para toda a Área de Proteção Ambiental do rio Iraí, diz.


