Uma auditoria não-governamental, feita pela entidade Mater Natura, aponta que o monitoramento ambiental das obras da Barragem do Iraí, na região Metropolitana de Curitiba, ainda não está sendo executado. Segundo o relatório, a Sanepar deixou de implementar 25 itens do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), que deveriam ser aplicados antes do represamento, previsto para o fim deste ano. Com isso, a qualidade da água pode ser comprometida, prejudicando o abastecimento da Grande Curitiba. Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Sanepar acreditam que ainda há tempo hábil para acertar o que está atrasado.
De acordo com a coordenadora da auditoria, Teresa Urban, as instituições envolvidas no projeto - Sanepar, IAP, Suderhsa, Comec e as prefeituras de Quatro Barras, Piraquara, Pinhais e Colombo - estão atuando de forma separadas. ‘‘Falta a implantação de um plano de gestão, que una as ações do EIA/Rima’’, afirma. ‘‘Sem esses itens, a vida útil da barragem fica comprometida’’.
Um dos pontos que mais preocupa a ambientalista é a existência de lixões na área de inundação da barragem. ‘‘Eles ainda estão no local, contaminando o solo. E não há estudo sobre esse impacto’’, afirma Teresa, que pede um trabalho de educação ambiental com os moradores sobre o problema do lixo. A ambientalista também quer que o IAP reveja a implantação de fábricas na região de Quatro Barras, que poderiam poluir a água.
Câmara - ‘‘O IAP concorda que houve atraso na implantação do EIA/Rima. Por isso, foi sugerida a criação da Câmara de Apoio Técnico para coordenar sua implementação’’, diz Themis Piazzetta Marques, chefe do Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental do IAP. A câmara, formada pelas prefeituras e entidades estaduais, deverá ser constituída na próxima semana.
O coordenador da barragem do Iraí, Schermann Cordeiro, afirma que todas as ações da Sanepar já foram feitas. ‘‘O que está atrasado são medidas que fogem da alçada da empresa’’, afirma. Ele cita como exemplo o plano diretor de resíduos sólidos (lixos), que deve ser criado pelos municípios de Colombo, Pinhais, Piraquara e Curitiba.
Para Themis, é preciso que as ações sejam implementadas o mais rápido possível. ‘‘Muitos pontos que deveriam ter sido iniciados pela Sanepar, há seis anos, ficaram para a última hora. Por isso, é preciso que se corra contra o tempo’’, diz. Para organizar as ações, a câmara vai usar os apontamentos da Mater Natura. ‘‘O trabalho de preservação ambiental vai ser estendido para toda a Área de Proteção Ambiental do rio Ira풒, diz.

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