ESTELIONATO
Sanepar não faz queixa
e impede investigação
A omissão da Sanepar tem impedido que a Delegacia de Estelionatos e Desvios de Carga de Curitiba investigue um golpe que vinha sendo aplicado contra usuários da empresa na capital. Estelionatários, que se faziam passar por funcionários da Sanepar, cobravam R$ 25,00 de moradores por concertos de vazamentos que não existiam. Os golpes foram denunciados pela própria empresa, em fax enviado à imprensa. Apesar dos casos terem sido divulgados há uma semana, até ontem a Sanepar não havia representado criminalmente contra os golpistas. Ontem o Departamento Jurídico da empresa preparava um ‘comunicado’, que deve ser encaminhado à delegacia na segunda-feira, segundo a assessoria de comunicação da Sanepar.
Com medo de represálias dos acusados, a vítima que denunciou o crime a Sanepar não quer registrar queixa. O superintendente da Delegacia de Estelionato, delegado Elias Pereira Soares, disse, porém, que basta a empresa encaminhar uma representação para que os suspeitos e as vítimas sejam intimadas a depor. A Sanepar sabe disso desde que o golpe foi descoberto. Na quarta-feria da semana passada, a Procuradoria Jurídica da empresa afirmou que pretendia comunicar a delegacia no dia seguinte, ou seja, na quinta-feira passada.
Na quinta-feira desta semana, o advogado da Sanepar, Tadeu Donizete Rzniski, afirmou que faria um ‘comunicado’ ontem. ‘‘Não deu para comunicar antes por falta de tempo, acúmulo de serviço’’, disse. Rzniski, no entanto, pensava que o crime havia acontecido em Colombo, Região Metropolitana, o que é incorreto. O golpe ocorreu na Rua 7 de Setembro, bairro Seminário, em Curitiba. Para o superindente da Delegacia de Estelionatos, ‘‘a Sanepar está sendo no mínimo relapsa em não representar contra os golpistas.’’
O golpe, conforme fax da Sanepar, aconteceu na terça-feira da semana passada. A vítima, que prefere não ser identificada, anotou o número da placa do carro que era usado pelo suposto funcionário e dois ajudantes. O número, passado à Folha pela empresa, permitiu a identificação do suspeito. A Belina prata, ano 1981, placa AGU-4727, de Colombo, pertence ao prestador de serviços Valter Arantes.
Ele disse à Folha que o carro estava com seu sócio Osmar (não soube dizer o sobrenome), no dia em que ocorreu o crime. Arantes e Osmar são donos de uma empresa que presta serviços em redes de eletricidade domiciliar e alta tensão. ‘‘Essa pessoa pode ter anotado a placa errada’’, afirmou. Ele disse que vai prestar depoimento à polícia caso seja intimado e já contratou um advogado para defendê-lo da denúncia.(J.A.)

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