Sanepar fará obras de R$ 8,6 milhões
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sexta-feira, 03 de setembro de 2004
Alan Maschio e Fábio Galão<BR>Reportagem Local 
O gerente geral da Sanepar na Região Metropolitana de Londrina, Sérgio Bahls, informou que a empresa investirá cerca de R$ 8,6 milhões para levar rede de esgoto a 21 bairros de várias regiões da cidade. Os trabalhos deverão começar entre novembro e dezembro. Serão construídos aproximadamente 83 quilômetros de rede e 6 mil ligações. A perspectiva é de que todas as obras estejam concluídas no segundo semestre de 2005.
Segundo Bahls, tal investimento aumentará o atendimento da rede de esgoto no município de 67% para mais de 70% dos bairros. O gerente comentou que os recursos foram disponibilizados junto a um banco japonês e à Caixa Econômica Federal (CEF), e que há preocupação sobre o futuro da empresa, devido à disputa judicial sobre o controle da Sanepar entre o governo do Estado e a holding estrangeira Dominó.
''Essa situação nos deixa receosos sobre o futuro, porque o governo do estado é o maior avalista para obtermos mais investimentos. Por isso, ele deve controlar a Sanepar. Se o controle passar para a Dominó, não sei se teremos a mesma capacidade de conseguir investimentos'', comentou Bahls.
Entre os bairros que passarão a ter rede de esgoto após as obras que terão início no final do ano, estão Alexandre Urbanas, Giovani Lunardelli, Ernani Moura Lima, Guilherme Pires, na Zona Leste, e União da Vitória 4 e Cafezal I, II, III, e IV, na Zona Sul. Somente nos bairros da Zona Leste seriam aproximadamente 3 mil pessoas hoje sem rede de esgoto, de acordo com informações da Associação de Moradores da região.
''Aqui temos cerca de 600 casas e todas elas têm fossas'', contou o mecânico Soares de Oliveira, morador do Conjunto Giovani Lunardelli desde a criação do bairro, em 1990. ''O problema é grande, pois os terrenos são pequenos e mal temos espaço para construir as fossas'', ressaltou. De acordo com Oliveira, a maior preocupação dos moradores é com a saúde das famílias da região. O mecânico acredita que a grande concentração de baratas e sujeira, provenientes das fossas, possa afetar as crianças.
O problema tende a se agravar em casas mais antigas. Morador do Conjunto Guilherme Pires há 11 anos, o comerciante Joaquim dos Santos Moraes apontou que já construiu três fossas no jardim da casa onde mora. ''Por enquanto, está tudo funcionando normalmente. Mas não sabemos quanto tempo isso deve durar'', afirmou.
Um dos temores de Moraes é de que o terreno do jardim afunde com as infiltrações originárias das fossas, problema já vivido pela costureira Maria Carvalho Silva, residente no Giovani Lunardelli há 13 anos. ''Uma das três fossas estourou e perdi todo o meu jardim. O cheiro ficou insuportável por um bom tempo'', lembrou ela.


